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Presidente da Sinovac teria pago propina a autoridades

Presidente da biotech chinesa teria pago U$ 83 mil a ex-agente público para acelerar a aprovação de vacinas da companhia entre 2002 e 2011

4 dez 2020
16h47
atualizado às 16h57
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SÃO PAULO - O presidente da Sinovac, Weidong Yin, admitiu ter pago propina a um ex-oficial da agência regulatória de medicamentos chinesa entre 2002 e 2011 para acelerar a aprovação de vacinas no órgão governamental, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira, 4, pelo jornal americano Washington Post feita com base em documentos da Justiça da China. A companhia biofarmacêutica é a parceira do Instituto Butantã no desenvolvimento da vacina Coronavac.

Unidade da Sinovac em Pequim
24/09/2020
REUTERS/Thomas Peter/File Photo
Unidade da Sinovac em Pequim 24/09/2020 REUTERS/Thomas Peter/File Photo
Foto: Reuters

A suspeita de pagamento de propina por Yin já havia sido revelada pelo Estadão em novembro, em reportagem especial sobre a biotech chinesa. Na ocasião, porém, documentos da empresa apontavam que o executivo não foi condenado por nenhum ato ilícito nem pela Justiça chinesa nem pelo Departamento de Justiça dos EUA, que abriu investigação na época pelo fato de a empresa ter capital aberto na bolsa americana.

O que foi revelado agora pelo Washington Post são trechos do depoimento do próprio Yin admitindo o pagamento. De acordo com o jornal, o executivo afirmou que pagou US$ 83 mil ao ex-oficial da agência chinesa Yin Hongzhang e à sua esposa.

No período do pagamento da propina, a Sinovac conseguiu o registro de vacinas como a da gripe H1N1 e a de hepatite, mas, segundo a reportagem do jornal americano, não houve nenhum escândalo relacionado à segurança e qualidade das vacinas aprovadas no período nem nenhuma irregularidade referente ao desenvolvimento da Coronavac.

Ainda não está claro, no entanto, por que o CEO não foi formalmente acusado nem condenado mesmo confessando o pagamento de suborno. Não se sabe se ele foi considerado vítima de achaque por parte de agentes públicos ou se fez algum acordo com a Promotoria chinesa para não sofrer sanções caso colaborasse com a investigação.

Em relatório da empresa para investidores obtido pelo Estadão, a Sinovac diz apenas que "Weidong Yin não foi acusado de qualquer crime ou conduta imprópria" e que "cooperou como testemunha com a Procuradoria". A empresa afirma ainda que "para o nosso conhecimento, as autoridades chinesas não iniciaram nenhum processo legal ou inquérito governamental contra Yin".

Segundo o Washington Post, o executivo justificou, no depoimento, que "não poderia negar pedidos de dinheiro por parte de um oficial da agência regulatória". O servidor da agência chinesa foi acusado de cobrar suborno de vários membros da indústria de vacinas chinesa. Ele foi condenado a dez anos de prisão.

O Estadão tenta, desde o final de outubro, entrevistar um representante da Sinovac para comentar as suspeitas contra o executivo da empresa e outros problemas de gestão revelados pela reportagem de novembro. Foram inúmeros e-mails, ligações e até pedidos para que o Butantã e a Embaixada da China intermediassem a conversa. Até hoje, a reportagem não recebeu uma única resposta aos pedidos enviados.

Ao Washington Post, a companhia também negou o pedido de entrevista com o presidente, mas afirmou, em nota, que a empresa "confiou ao sistema jurídico o tratamento adequado dos casos anteriores de suborno" e que a "capacidade do CEO em fazer seu trabalho não foi afetada".

O Instituto Butantã foi procurado pelo Estadão para comentar as acusações contra o presidente da Sinovac, mas ainda não respondeu.

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