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Presidente da Itália convoca ex-líder do BCE para reunião

Mattarella ainda descartou convocar novas eleições agora

2 fev 2021 18h08
| atualizado às 18h17
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Após o fracasso nas negociações entre os partidos políticos para a formação de um novo governo, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, convocou o ex-líder do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi para uma reunião nesta quarta-feira (03).

Mattarella se reunirá com Draghi para tentar fazer um governo técnico
Mattarella se reunirá com Draghi para tentar fazer um governo técnico
Foto: EPA / Ansa - Brasil

O encontro ocorrerá no Palácio do Quirinale, a partir das 12h (8h), e deve encarregar Draghi de formar um governo técnico no país. O nome do ex-presidente do BCE já vinha sendo ventilado por fontes ligadas ao poder porque poderia ser capaz atrair a oposição conservadora.

O anúncio da reunião foi feito após um pronunciamento de Mattarella, em que o mandatário descartou convocar novas eleições e disse que era necessário formar rapidamente "um governo que enfrente as graves emergências que não podem ser adiadas". A referência é a crise sanitária e econômica provocadas pela pandemia de Covid-19.

Segundo o mandatário, a Itália precisa de um governo "com plenas funções e não com a atividade reduzida ao mínimo", como ocorre no momento. Além disso, o chefe de Estado alertou que as forças políticas devem "ter um governo de alto padrão para enfrentar tempestivamente as graves emergências em andamento".

Sobre a convocação de novas eleições, Mattarella foi bem claro que a crise da Covid-19 impede a realização de um pleito nesse momento.

"Nós estamos no meio da pandemia. Lembrem-se que eleições não consistem só no dia em que vamos votar, mas incluem muitas e complexas atividades precedentes. Além disso, a sucessiva campanha eleitoral pede encontros, assembleias, comícios [...] onde é impossível manter os necessários distanciamentos. Em outros países nos quais se votou obrigatoriamente, verificou-se um grave aumento dos contágios e isso nos faz refletir se pensamos nas tantas vidas que até hoje continuamos a registrar", acrescentou.

Além disso, Mattarella lembrou que em 2013, quando o Parlamento foi dissolvido, foram necessários quatro meses para formar um governo funcional. Já em 2018, foram necessários cinco meses.

"Seria deixar o nosso país com um governo sem a plenitude das funções em meses cruciais. Todas essas preocupações estão bem presentes nas vida de nossos concidadãos, que pedem por respostas urgentes", pontuou.

Entre essas urgências, estão a aprovação do plano de recuperação da economia - que foi um dos motivos apresentados pelo Itália Viva (IV), de Matteo Renzi, para abandonar o governo de Giuseppe Conte e abrir a crise política.

"A aprovação é fortemente desejável antes da data final porque são financiamentos indispensáveis que são entregues rapidamente. Só temos dois meses de tempo para discutir o plano com mais um mês para aprovação por parte das comissões da União Europeia", acrescentou.

Após o anúncio, Renzi afirmou que "escutou as sábias palavras do presidente da República Mattarella e que mais uma vez reconhecemos sua condução - e agiremos na sequência". Já o líder da sigla de extrema-direita Liga, Matteo Salvini, criticou a medida por ser uma "perda de tempo" e disse que a "soberania pertence ao povo".

Crise política -

A atual crise política na Itália começou "oficialmente" no dia 13 de janeiro, quando Renzi anunciou que estava retirando suas duas ministras do segundo governo Conte por não concordar com diversos pontos do plano de governo, especialmente, o de recuperação pós-pandemia.

O IV, apesar de pequeno, era fundamental para que Conte tivesse maioria absoluta no Senado. Além da sigla do ex-premiê, faziam parte da base o Movimento Cinco Estrelas (M5S), o Partido Democrático (PD) e legendas menores de esquerda.

Nos dias 18, na Câmara dos Deputados, e 19, no Senado, o então premiê Conte conseguiu conquistar o voto de confiança para permanecer na função. No entanto, na Alta Câmara, a vitória só foi possível porque o IV se absteve e a maioria para vencer ficou abaixo da maioria simples - são 320 senadores aptos a votação, mas com a abstenção de 16 parlamentares, Conte obteve 156 votos.

Com o risco do governo ser derrubado em alguma votação, Conte se antecipou e apresentou sua renúncia ao cargo no dia 26 de janeiro, com a intenção de conseguir evitar que o país tivesse eleições com a formação de um novo governo com a mesma base aliada.

No entanto, nos últimos dias, o encarregado por Mattarella para tentar unir novamente as siglas, o presidente da Câmara, Roberto Fico, não conseguiu formar uma maioria estável por conta das questões envolvendo Renzi e os maiores partidos da base - M5S e PD. .
   

Ansa - Brasil   
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