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Presidenciável argentino Fernández caminha na corda bamba entre mercados e eleitores

10 set 2019
17h26
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Alberto Fernández, candidato favorito à eleição presidencial da Argentina, caminha em uma corda bamba entre as políticas intervencionistas de sua colega de chapa mais conhecida, Cristina Kirchner, e as reformas de livre mercado claudicantes do atual presidente, Mauricio Macri.

Presidenciável argentino, Alberto Fernández
05/09/2019
REUTERS/Juan Medina
Presidenciável argentino, Alberto Fernández 05/09/2019 REUTERS/Juan Medina
Foto: Reuters

Existe perigo dos dois lados, já que os mercados estão prontos para rechaçar qualquer insinuação de que ele seguiria o exemplo de Cristina dando calote na dívida e os eleitores estão prontos para punir qualquer um que concorde com a ortodoxia de Macri, que levou a economia à ruína.

"Ele está em uma posição difícil", disse Martin Vauthier, economista da consultoria Eco Go. "Ele tem que enviar mensagens que em muitos aspectos são contraditórias."

A moeda argentina estava estável cotada a cerca de 56 pesos por dólar nesta terça-feira com os investidores em busca de pistas sobre as diretrizes de Fernández conforme a votação de 27 de outubro se aproxima.

Os controles de capital estancaram a perda de reservas desencadeada pela surra inesperada de Fernández sobre Macri na eleição primária de agosto, que mostrou um forte favoritismo do opositor para assumir como novo presidente da Argentina em dezembro.

Mas a situação continua frágil, e as ações, os títulos e a moeda do país estão sujeitos a oscilações violentas que dependem dos sinais que Fernández emitirá nas próximas semanas.

"O governo e o Banco Central conseguiram acalmar a situação, mas acho que é temporário, porque existe muita incerteza sobre o que acontecerá depois de outubro", opinou Juan Pablo Fuentes, economista da Moody's Analytics.

"O mercado vê como certo que Fernández vencerá, mas ninguém sabe que medida ele tomará."

O peso, que perdeu cerca de um quarto do seu valor no mês passado, recuperou algum terreno em setembro depois que o governo anunciou limites no acesso a dólares e transferências internacionais da moeda, a preferida dos argentinos preocupados com a precariedade da terceira maior economia da América Latina.

Agentes de mercado temem que Fernández adote uma postura mais rígida do que Macri com os investidores, e os dois campos flertam com a ideia de reformular as obrigações da Argentina com sua dívida em vista de uma recessão que se agrava e da perspectiva de aumento da inflação.

A presença de Cristina no páreo aumentou os receios dos investidores com as políticas que virão após a iniciativa de reformas de livre mercado de Macri.

Fernández se colocou entre as posições de Cristina e Macri nos comentários que fez na televisão na noite de segunda-feira. "Respeitaremos as dívidas da Argentina, mas sem pressionar o povo."

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