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Polícia mata ao menos 9 manifestantes pró-democracia em Myanmar

Além da violência, 6 jornalistas foram presos desde sábado

3 mar 2021
08h41
atualizado às 08h47
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Ao menos nove pessoas foram mortas por forças de segurança durante os protestos contra o golpe de Estado dado pelos militares em Myanmar nesta quarta-feira (3), no segundo dia mais violento das manifestações iniciadas há pouco mais de um mês.

Apesar dos números não serem confirmados, já são cerca de 30 mortos durante os atos, sendo 18 deles apenas no último domingo (28). Os assassinatos ocorreram em diversas cidades, como Monywa e Mandalay. Há ainda dezenas de feridos.

Um médico local, que pediu anonimato, disse ao jornal "The Independent" que duas das vítimas de Mandalay foram atingidas por tiros no peito e na cabeça. O uso de armas letais contra os manifestantes tem sido recorrente em vários protestos.

Além da violência contra os manifestantes, os policiais têm colocado na prisão sob a justificativa de "difusão de notícias falsas" diversos jornalistas. Segundo a agência Associated Press, ao menos seis deles, incluindo um de seus fotógrafos, foram presos na cobertura dos atos desde o sábado (27).

Os demais profissionais trabalham para os portais Myanmar Now, Myanmar Photo Agency, 7Day News e Zee Kwet Online, além de um jornalista freelancer.

Os protestos diários contra o golpe militar, ocorrido em 1º de fevereiro, vêm aumentando de tamanho mesmo com a intensa repressão das forças de segurança. Os cidadãos pedem a retomada imediata da democracia e a libertação de seus dois líderes, a Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi, e o presidente Win Myint.

Ambos foram detidos sob a acusação de "fraude eleitoral" no pleito de 8 de dezembro, que contabilizou uma vitória avassaladora do partido de Suu Kyi, o Liga Nacional para a Democracia (NLD). A data do golpe, inclusive, era o dia que os eleitos tomariam posse. Porém, após a prisão, os dois foram acusados de outros crimes que nada tem a ver com a disputa democrática.

Suu Kyi responde por uma importação irregular de rádios de comunicação e por violar a lei de gestão de catástrofes ambientais por conta da pandemia de Covid-19 - mesmo "crime" de Myint. E, mesmo em prisão domiciliar, a líder "de facto" ainda foi acusada por mais dois delitos - violação da lei de comunicações e incitação aos protestos.

Papa volta a fazer apelo -

O papa Francisco voltou a fazer um apelo pela democracia e pela retomada do diálogo em Myanmar durante a audiência geral desta quarta-feira.

"Chegam ainda de Myanmar tristes notícias de sangrentos combates com perda de vidas humanas. Desejo chamar a atenção das autoridades envolvidas para que o diálogo prevaleça sobre a repressão e a harmonia sobre a discórdia. Faço um apelo também à comunidade internacional para que se empenhe para que as aspirações do povo de Myanmar não sejam sufocadas pela violência", afirmou o líder católico.

O Pontífice ainda ressaltou que deseja que "para os jovens daquela amada terra seja concedida a esperança de um futuro onde o ódio e a injustiça deixem espaço para o encontro e reconciliação".

"Repito, enfim, o desejo expressado há um mês: que o caminho para a democracia tomado por Myanmar nos últimos anos possa ser retomado através do gesto concreto da libertação dos diversos líderes presos", finalizou.

A fala de Francisco refere-se ao fato de que o golpe de Estado foi dado apenas na segunda vez que o país foi às urnas desde 2015. Myanmar foi governada por uma ditadura militar que impediu o voto livre por 25 anos. .
   

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