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Polícia de Londres confirma mais 58 vítimas em incêndio e número de mortos chega a 70

As operações no bloco de apartamentos queimados foi retomada e ainda pode demorar semanas, disse o comandante da polícia local, Stuart Cundy.

17 jun 2017
19h32
atualizado às 19h44
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Um total de 58 pessoas estão mortas ou desaparecidas após o devastador incêndio na Grenfell Tower, no oeste de Londres, segundo a polícia local.

Fotos de desaparecidos
Fotos de desaparecidos
Foto: BBCBrasil.com

O comandante Stuart Cundy disse que esse número ainda "pode aumentar". A BBC entende que o número total de mortos chegue a 70 pessoas.

As operações no bloco de apartamentos queimados foi retomada e ainda pode demorar semanas, disse ele.

Enquanto isso, a primeira-ministra britânica, Theresa May, admitiu que o apoio às famílias nas "primeiras horas" não foi "bom o suficiente". A declaração foi dada após May conhecer algumas pessoas desabrigadas pelo fogo e voluntários em Downing Street.

Quando deixaram o Number 10, residência oficial da primeira-ministra, um representante dos moradores falou brevemente aos repórteres que não fariam uma declaração completa ainda.

"Vamos fazer isso na comunidade, com a comunidade", disse ele. "Tivemos duas horas e meia com a primeira-ministra nas últimas 48 horas e falamos sobre nossas demandas e o que esperamos".

Mais cedo, moradores socorridos no incêndio avaliaram o esforço para aliviar a situação deles como o "caos absoluto".

Encontro com Theresa May
Encontro com Theresa May
Foto: BBCBrasil.com

Em sua declaração, May disse: "Francamente, o apoio no espaço para as famílias que precisavam de ajuda ou informações básicas nas primeiras horas após esse terrível desastre não foi suficientemente bom".

Ela disse ainda que as linhas telefônicas deveriam ser melhor equipadas e deveria haver mais funcionários no local. Eles devem usar roupas de alta visibilidade para que possam ser facilmente encontrados, dar conselhos e garantir a ajuda correta, acrescentou.

May também disse que esperava anunciar o nome de um juiz para uma investigação público nos próximos dias. O inquérito dará uma resposta à primeira-ministra.

Ela também ordenou que sejam concluídas com urgência as análises de segurança em blocos com torres similares.

Na última atualização policial, o comandante Cundy fez um novo apelo para que as pessoas que conseguiram escapar do prédio com vida avisassem as autoridades que estão seguras.

Imagens que mostram o interior da torre serão exibidas neste domingo para ajudar as pessoas a entender por que a busca demorou tanto tempo, disse ela.

As buscas no prédio foi brevemente paralisadas por razões de segurança, mas foram retomadas neste sábado.

"Assim que pudermos, vamos localizar e recuperar os todos os amados", disse ele.

'Reino Unido inabalável'

Em sua mensagem de aniversário oficial, a Rainha refletiu sobre o "sombrio humor nacional" após tragédias registradas em Londres e Manchester nas últimas semanas.

Ela disse, em uma declaração sem precedentes, que ficou "profundamente impressionada com a disposição imediata de pessoas em todo o país para oferecer conforto e apoio aos desesperados".

"Posto à prova, o Reino Unido se mostrou inabalável diante da adversidade", disse ela.

Outras ações:

  • Um minuto de silêncio foi feito pela Rainha no desfile da Trooping the Color para lembrar as vítimas
  • Foi criado um novo grupo de trabalho, a pedido de Theresa May, formado por representantes do governo central e do conselho de Kensington e Chelsea
  • O cardeal Vincent Nichols, arcebispo católico de Westminster, liderou uma adoração e uma missa em memória às vítimas na Igreja de São Pio 10
  • A linha circular e as linhas de metrô Hammersmith e City, que passam perto da torre, foram parcialmente suspensas devido a um "risco a curto prazo de alguns detritos caírem nos trilhos"

May recebeu diversas críticas sobre sua resposta ao desastre, inclusive sendo hostilizada ao visitar North Kensington na sexta-feira. Na tarde deste sábado, centenas de manifestantes também se reuniram em Whitehall (centro administrativo londrino) para pedir sua saída.

O primeiro secretário de Estado, Damian Green, defendeu a primeira-ministra, dizendo que ela estava tão "perturbada quanto todos".

O governo destinou 5 milhões de libras esterlinas (o equivalente a R$ 21 milhões) para a compra de roupas, alimentos e suprimentos para as vítimas.

Protesto em Whitehall
Protesto em Whitehall
Foto: BBCBrasil.com

Matthew Price, da BBC, disse que os membros seniores da associação de moradores descreveram como um "caos absoluto" sem "nenhuma organização" de funcionários. Alguns moradores disseram que não querem mais o conselho de Kensington e Chelsea envolvidos no caso de nenhuma maneira.

Ele acrescentou: "Eles não acreditam que são capazes de gerenciar uma reação, tamanha a total falta de confiança".

O reverendo Mike Long, da Igreja Metodista de Notting Hill, disse que as pessoas na comunidade estavam bravas, perplexas e cheias de dúvidas.

"Elas sentem que não estão sendo ouvidas e o que eles têm dito não está sendo absorvido. E elas não são capazes de expressar essas coisas no momento", disse ele à Radio 4, da BBC.

A investigação até agora:

  • Seis vítimas foram provisoriamente identificadas pela polícia
  • Três delas foram reveladas até agora, incluindo o refugiado sírio Mohammed Alhajali, 23, Isaac Shawo, de cinco anos de idade, e o artista Khadija Saye
  • Dos mortos, um morreu no hospital
  • Dezesseis pessoas permanecem no hospital, 10 em cuidados intensivos
  • Uma investigação criminal foi instaurada
  • Os conselhos do Reino Unido estão realizando revisões urgentes nos blocos da torre, diz a Associação de Governo Local
  • Um apelo da Cruz Vermelha britânica foi lançado para arrecadar dinheiro para as vítimas da tragédia
  • Um número local de emergência foi lançado para pessoas preocupadas com amigos e familiares (0800 0961 233)

O incêndio atingiu o bloco residencial de 24 andares, que continha 120 apartamentos de um e dois dormitórios, pouco antes da 1h (horário de Londres) na quarta-feira.

As chamas atingiram todos os andares do prédio e foram necessários mais de 200 bombeiros trabalhando por 24 horas para controlá-las.

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