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Plano da Itália 'não pode ser levado a sério', diz Rússia

Segundo Moscou, propostas são 'descoladas da realidade'

25 mai 2022 11h59
| atualizado às 13h02
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O governo da Rússia afirmou nesta quarta-feira (25) que o plano de paz proposto pela Itália é "tão descolado da realidade" que não pode ser levado a sério.

Prédio bombardeado pelas forças russas em Kharkiv, na Ucrânia
Prédio bombardeado pelas forças russas em Kharkiv, na Ucrânia
Foto: EPA / Ansa - Brasil

A declaração foi dada pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, e representa mais um sinal de que a proposta tem pouca chance de prosperar.

"Roma não nos enviou nada, mas, pelo que lemos na imprensa, as propostas italianas são tão descoladas da realidade que, em linha de princípio, é difícil que possam ser levadas a sério", afirmou Zakharova, segundo a agência estatal Tass.

"Tem ali algumas ideias, mas, na prática, elas não foram verificadas, não há sequer uma conexão com a situação in loco", acrescentou. Na última terça-feira (23), o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvedev, já havia dito que o plano parecia preparado com base em "notícias falsas".

A proposta foi levada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, pelo ministro italiano das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, em 18 de maio, mas recebeu pouca atenção dos aliados ocidentais.

O plano prevê um percurso de quatro etapas, sob a supervisão de um "grupo internacional de facilitação": cessar-fogo, possível neutralidade da Ucrânia, questões territoriais (Crimeia e Donbass) e um novo pacto de segurança europeia.

A lealdade das partes aos compromissos assumidos seria avaliada em cada fase antes de se passar ao estágio sucessivo. A primeira etapa, o cessar-fogo, seria acompanhada da desmilitarização das frentes de batalha para permitir o avanço das negociações.

O segundo passo giraria em torno de tratativas multilaterais sobre o futuro status internacional da Ucrânia, que já abriu mão de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas quer entrar na União Europeia.

O terceiro estágio - e o mais delicado - diz respeito ao destino da Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014, e do Donbass, onde ficam as autoproclamadas repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk. Moscou defende a soberania dessas regiões, mas a Ucrânia quer manter sua integridade territorial.

O plano seria concluído com um novo acordo multilateral sobre a paz e a segurança na Europa.  

Ansa - Brasil   
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