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Peru espera próximo presidente com contagem travada perto do fim

14 jun 2021 12h02
| atualizado às 20h35
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Os peruanos ainda seguiam nesta segunda-feira à espera da definição de quem será o próximo presidente do país, mais de uma semana após um polarizado segundo turno eleitoral, com o socialista Pedro Castillo se apegando a uma estreita margem de votos que levaria o país com firmeza para a esquerda.

Candidato à Presidência do Peru Pedro Castillo discursa para apoiadores na sede de seu partido em Lima
10/06/2021 REUTERS/Angela Ponce
Candidato à Presidência do Peru Pedro Castillo discursa para apoiadores na sede de seu partido em Lima 10/06/2021 REUTERS/Angela Ponce
Foto: Reuters

A contagem dos votos, que subiu apenas menos de 0,02% desde sábado e que continua em torno de 99,953% dos votos apurados, coloca o ex-professor com 50,14% do total, menos de 50 mil votos à frente da rival de direita Keiko Fujimori.

Fujimori alega fraude eleitoral, sem oferecer qualquer prova concreta para sua acusação.

Castillo, de 51 anos, pouco conhecido antes de uma vitória surpreendente na votação do primeiro turno em abril, estremeceu a elite política e empresarial do país andino rico em cobre, com planos de reescrever a constituição e aumentar de maneira aguda os tributos sobre a mineração.

Ele diz que os peruanos já demonstraram que "escolheram seu caminho" e seu partido de extrema-esquerda Peru Livre já celebra a vitória, apesar de tentativas de Fujimori de anular alguns dos votos contra ela, o que atrasa a confirmação oficial do resultado. 

Ainda não está claro quando o órgão eleitoral do país irá anunciar formalmente o vencedor, embora Castillo tenha pedido para que a apuração seja encerrada rapidamente para colocar fim às incertezas. 

Keiko, de 46 anos, herdeira de uma família política poderosa e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que está preso por corrupção e abusos de direitos humanos, promete continuar lutando até o último voto ser computado.

O partido de Castillo rejeita as acusações de fraude e observadores internacionais do processo em Lima dizem que as eleições foram limpas.

Se confirmado, o triunfo de Castillo será um grande impulso para a esquerda da região. O socialista vem de uma área pobre do norte do Peru e concentra o voto do interior, revoltado por se sentir abandonado na história do crescimento peruano.

Os níveis crescentes de pobreza e desigualdade também colocam em questão as elites políticas tradicionais, algo intensificado pelo maior surto mundial de casos de Covid-19 per capita, que mina a economia dependente da mineração.

Marchas de apoiadores dos dois candidatos ocorreram em Lima ao longo da última semana. Alguns eleitores de Castillo foram de áreas rurais à capital para protestar, e partidários de Keiko apoiam as acusações de fraude feitas por ela.

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