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Papa conclui reunião com bispos chilenos sobre pedofilia

Encontro durou três dias e pode levar a renúncias

17 mai 2018
15h59
atualizado às 16h26
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Terminou nesta quinta-feira (17) o encontro de três dias do papa Francisco com a Conferência Episcopal do Chile, convocado pelo próprio Pontífice para discutir formas de enfrentar os escândalos de pedofilia na Igreja do país latino.

Papa Francisco durante audiência geral no Vaticano
Papa Francisco durante audiência geral no Vaticano
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em uma carta, Jorge Bergoglio agradeceu pela "plena disponibilidade que todos demonstraram em aderir e colaborar com todas as mudanças e resoluções" que devem ser implantadas em "breve, médio e longo prazo".

Segundo Francisco, são ações necessárias para "recuperar a justiça e a comunhão eclesiástica". No entanto, ele não anunciou ainda nenhuma medida concreta, muito menos as renúncias do bispo de Osorno, Juan Barros, e do arcebispo emérito de Santiago, Francisco Javier Errázuriz, cobradas por vítimas de pedofilia.

Elas acusam os dois prelados de terem acobertado os casos de abuso sexual envolvendo o padre Fernando Karadima, já condenado pelo Vaticano e recentemente internado para tratar de um sangramento no nariz.

"À luz destes dolorosos eventos relativos aos abusos - de menores, de poder e de consciência -, aprofundamos a gravidade da situação e as trágicas consequências sobre as vítimas", disse o Papa, que convocou a reunião após um relatório do arcebispo de Malta, Charles Scicluna, apontar a real extensão do escândalo no Chile.

O próprio Francisco admitiu que cometera um "grave erro de avaliação" sobre a situação e recebeu três vítimas de Karadima no Vaticano, poucos meses depois de tê-las acusado de "caluniar" Barros, durante sua viagem ao Chile.

Durante a reunião com os bispos chilenos, o Papa teria lido um trecho de São Paulo que fala sobre a importância de "se dar um passo atrás", então a hipótese de algumas renúncias permanece viva.

Entenda

O escândalo de pedofilia no Chile gira em torno do padre Fernando Karadima, 87 anos, condenado pelo próprio Vaticano por violência sexual contra menores. No entanto, as vítimas também acusam o bispo de Osorno, Juan Barros, 61, de ter acobertado os casos.

Em sua visita ao Chile, em janeiro, o Papa chegou a dizer que as denúncias contra Barros eram "calúnias", o que provocou a ira das vítimas e críticas até do cardeal Sean O'Malley, líder da comissão antipedofilia criada pelo Pontífice.

Já na viagem de volta a Roma, Francisco pediu desculpas por ter contestado os relatos das vítimas, e, pouco depois, enviou Scicluna para aprofundar as investigações no país latino. O relatório produzido por ele tem 2,3 mil páginas e depoimentos de 64 vítimas e parentes de pessoas afetadas por casos de abuso.

Após ler o documento, que cita outros episódios de acobertamento, o Papa admitiu que cometera "erros de avaliação" sobre o escândalo e convidou os sobreviventes - como eles próprios se autodenominam - para o Vaticano.

Ansa - Brasil   
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