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Repressão do EI e ataques da coalizão marcam Festa do Sacrifício em Mossul

24 set 2015
15h47
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A repressão do Estado Islâmico (EI) e os ataques aéreos da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos marcaram nesta quinta-feira a celebração da Festa do Sacrifício (Eid al-Adha) na cidade de Mossul, principal reduto do grupo jihadista no norte do Iraque.

Na manhã de hoje, os moradores de Mossul iniciaram o dia sagrado para os muçulmanos com a notícia da morte de um casal e seus três filhos mais novos nos bombardeios lançados pela coalizão internacional que atua contra o EI no Iraque e na Síria.

Por outro lado, o estrito embargo do governo iraquiano e o isolamento imposto pelos extremistas paralisaram praticamente todas as atividades econômicas de Mossul, a maior cidade do país, onde vivem cerca de 2 milhões de pessoas.

O desemprego e a pobreza aumentaram consideravelmente na cidade, ocupada em julho de 2014 pelo EI, que a governa com punho de ferro ao impor uma versão radical da lei islâmica.

Um professor de uma escola de Mossul, que se identificou como Samir al Obeidi, de 42 anos, disse à Agência Efe que os servidores públicos estão com quatro meses de salários atrasados.

"O governo suspendeu os pagamentos aos trabalhadores de Mossul com a desculpa de que esse dinheiro contribui para financiar o terrorismo. Mas não é assim, porque não são todos os habitantes que colaboram com o EI", ressaltou.

O professor alertou que a política do governo levará que muitos homens e jovens se unam ao EI, já que o grupo terrorista paga bons salários aos que se juntam a sua luta.

Outro morador de Mossul, Abdulqahar al Serayi, de 53 anos, revelou que a Polícia jihadista ou "hesba" foi colocada em todas as regiões da cidade, especialmente perto dos cemitérios e parques de recreação infantil, para impedir que os cidadãos não compareçam esses lugares.

"Proibiram as famílias de frequentar hoje os campos santos porque, segundo os jihadistas, esse costume contradiz as normas do Islã. Por isso, centenas de homens e mulheres foram obrigados a irem embora", explicou, denunciando também a "hesba" por bater com bastões de bambu em mulheres e crianças para expulsá-los de parques infantis.

"Os moradores de Mossul vivem em uma enorme prisão e ninguém pode escapar desse grupo extremista, da brutalidade de seus membros", completou Al Serayi.

A extrema pobreza e o embargo também impediram que ocorresse em Mossul o sacrifício de um cordeiro, costume tradicional do Eid al-Adha, que celebra a história do profeta Ibrahim, que, segundo a tradição muçulmana, ofereceu a Alá seu filho Ismael.

Um comerciante de gado local, Ahmed Salem al Beqar, explicou que as famílias não compraram nem sacrificaram os cordeiros porque não desejam consumir carne de animais que foram roubados pelos jihadistas nas localidades próximas e agora vendidas em Mossul.

O presidente da Associação de Ulemás do Iraque em Mossul, o xeque Ahmed al Maula, comentou que muitas pessoas não sacrificaram animas devido à péssima situação econômica enfrentada pela cidade.

Entre outras tradições que os moradores de Mossul deixaram de cumprir durante os dias festivos, estão as visitas de familiares, assim como o compartilhamento de refeições e doces com parentes, vizinhos e amigos.

Uma mulher, que se identificou como Um Jaber, de 44 anos, revelou que muitos homens de Mossul ficaram em casa para evitar provocar a "hesba", que persegue os que não tem barba e também se suas esposas não cobrirem o rosto com véu integral.

Enquanto isso, os aviões de combate da coalizão internacional sobrevoaram intensamente Mossul, outro motivo que faz os moradores temerem sair à rua para não se expor ao risco dos bombardeiros.

EFE   
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