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Palestinos reavaliam negociações de paz

19 fev 2011
01h01
atualizado às 01h42

A Autoridade Palestina vai "reavaliar" o processo das negociações de paz, após o veto americano na ONU ao projeto condenando a colonização israelense, afirmou na noite desta sexta-feira Yasser Abed Rabo, secretário geral do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

"Vamos reexaminar nossa avaliação de todo o processo de negociação" com os israelenses. "Foi (o veto) uma decisão infeliz e desequilibrada, que afeta a credibilidade da administração americana", disse Abed Rabo, um dos principais negociadores palestinos.

Pouco antes do veto, em um discurso na sede da Autoridade Palestina em Ramallah, o dirigente Mahmud Abbas lembrou que "o povo palestino quer o fim da colonização e da ocupação". "A colonização é inaceitável e ilegal em nossa terra".

Os Estados Unidos vetaram hoje no Conselho de Segurança das Nações Unidas o projeto de resolução árabe que condenava a política de colonização israelense nos territórios palestinos.

Israel, por sua vez, convocou após o veto os palestinos a retomar as negociações sem condições prévias.

"É um caminho curto entre Ramallah e Jerusalém, e todos os palestinos deveriam voltar à mesa de negociações sem condições prévias", disse o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, em um comunicado.

"Só assim, e não através de uma decisão do Conselho de Segurança, será possível avançar no processo de paz de modo a beneficiar ambas as partes e servir à causa da paz e da segurança em toda a região", acrescentou.

A embaixadora americana nas Nações Unidas, Susan Rice, explicou que Washington decidiu se opor à resolução, afiançada por 130 países e apoiada pela liderança palestina, após procurar oferecer uma saída alternativa que fora rejeitada.

"Este projeto de resolução corre o risco de radicalizar as posições de ambos os lados", explicou Rice. "Irá encorajar as partes a ficar de fora das negociações", acrescentou.

Ela insistiu que o veto de Washington - o primeiro do governo Obama nas Nações Unidas - não deveria ser entendido como um apoio dos Estados Unidos ao avanço das colônias.

"Nós rejeitamos nos termos mais fortes a legitimação da continuidade da colonização", disse ela ao Conselho.

Mas Rice disse que a ONU não é a instância adequada para tentar resolver o conflito israelense-palestino.

Os outros 14 membros do Conselho de Segurança votaram a favor da resolução.

Esta foi a primeira vez que os Estados Unidos se opõem a uma resolução do Conselho de Segurança desde que Barack Obama assumiu a presidência, há dois anos.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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