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Observadores da ONU são levados à fronteira com a Jordânia

9 mar 2013
12h49

Os 21 observadores filipinos da ONU sequestrados na quarta-feira por rebeldes nas Colinas de Golã, no sul da Síria, chegaram no fim da tarde deste sábado à Jordânia, declararam à AFP um porta-voz do governo jordaniano e o embaixador das Filipinas em Amã.

"Eles chegaram à Jordânia, estão agora em solo jordaniano", disse o porta-voz do governo, Samih Maaytah.

Na sexta-feira, uma primeira tentativa de retirar os observadores do povoado de Jamla fracassou devido a um bombardeio do Exército em um setor próximo que obrigou o comboio da ONU responsável pelo resgate a recuar.

Mas, também na sexta-feira, o regime estabeleceu com a ONU uma trégua para permitir a retirada dos 21 observadores da Força das Nações Unidas de Observação da Separação (FNUOD), encarregada desde 1974 do cessar-fogo entre Israel e Síria nas Colinas de Golã, ocupadas em grande parte pelo Estado hebreu.

A região de Jamla está situada a 1,5 km da linha de cessar-fogo.

Trata-se do primeiro sequestro deste tipo desde o início do conflito na Síria, há quase dois anos. O grupo rebelde "Brigada dos Mártires de Yarmouk" reivindicou a captura dos observadores na quarta-feira nas Colinas de Golã.

Os sequestradores, que inicialmente exigiam a retirada do Exército sírio da região, pediram depois o fim dos bombardeios para permitir a libertação dos observadores.

O responsável pelas operações para a manutenção de paz da ONU, Hervé Ladsous, disse na sexta-feira que esperava "um cessar-fogo de várias horas" para permitir a libertação dos observadores.

Em Deraa, a cidade do sul do país onde teve início a revolta contra o regime, em março de 2011, os combates entre os rebeldes e as forças governamentais eram intensos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), uma ONG com sede na Grã-Bretanha que possui uma ampla rede de militantes e médicos no local.

Na província de Damasco, onde os rebeldes estão entrincheirados, violentas explosões podiam ser ouvidas.

Além disso, as forças do regime bombardeavam com artilharia pesada Deir Ezzor, uma cidade do nordeste do país controlada, em sua maior parte, pelos rebeldes.

Em quase dois anos, o conflito, provocado por uma onda de contestação pacífica que se militarizou devido à repressão, deixou mais de 70.000 mortos, um milhão de refugiados e milhares de deslocados, segundo a ONU.

O ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, cujo país é um aliado do regime, mostrou-se convencido de que Assad não irá abandonar o poder e repetiu que Moscou não tem a intenção de pedir isso.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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