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Obama retém apoio de bairro onde trabalhou como ativista

5 nov 2012
18h10
atualizado às 19h32

Os moradores de Altgeld Gardens, bairro do sudeste de Chicago no qual o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, trabalhou como ativista social quando jovem, mantêm sua fé nele e se preparam para dar-lhe amanhã um novo voto de confiança. "Obama, Obama, Obama", respondeu uma das paroquianas que no domingo participou da missa na igreja local quando perguntada pela EFE sobre em quem votará na terça-feira.

Foto de 2008 mostra o bairro de Altgeld Gardens, onde o jovem Obama trabalhou como ativista
Foto de 2008 mostra o bairro de Altgeld Gardens, onde o jovem Obama trabalhou como ativista
Foto: AFP

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Situado nas imediações de uma zona industrial com usinas siderúrgicas abandonadas, Altgeld Gardens é um complexo de mais de 1,5 mil casas onde parece reinar a calma, embora na realidade imperem a violência e a pobreza. Construído na década de 1940 para receber os veteranos afro-americanos que combateram na Segunda Guerra Mundial, é um dos projetos de residência pública mais antigos do país. Foi ali aonde, em meados dos 80, chegou um jovem Barack Obama, que liderou uma batalha para eliminar os resíduos de amianto nas casas da área, uma experiência contada em seu livro autobiográfico "Dreams from my Father" ("Sonhos do meu pai").

Moradores como Jimmy Schaffer, de 56 anos e antigo soldado afro-americano, conheceram aquele jovem, a quem as avós de Altgeld Gardens tentaram, sem sucesso, fazer engordar enchendo-o de biscoitos.

"Já apertei sua mão", contou à EFE Schaffer, que lembra as reuniões do agora presidente com os vizinhos para falar sobre programas públicos de acesso à educação ou assuntos como a gestão de resíduos tóxicos.

Esse, de fato, é o grande legado de Obama na região, imersa há alguns anos em processo de melhoria para eliminar qualquer vestígio de amianto nas casas. Schaffer, que já votou antecipadamente, diz que o atual inquilino da Casa Branca precisa de "outros quatro anos" para acabar seu trabalho e se nega a escutar os críticos que atribuem à gestão econômica de Washington a violência em comunidades como Altgeld Gardens. "Sim, há violência aqui, mas isso não tem nada a ver com a economia ou com Obama. A culpa é dos jovens que decidem entrar para as gangues e se transformar em assassinos. É uma escolha pessoal", afirmou Schaffer em tom exaltado.

Os fiéis da United Church, uma pequena igreja na Avenida Ellis, a poucos metros da placa que dá as boas-vindas aos que visitam Altgeld Gardens, mantêm também a fé em Obama apesar de suas vida terem mudado pouco com o primeiro presidente negro na história dos EUA. "As pessoas aqui em geral estão contentes (com Obama). Entendem que nenhum presidente, seja branco, negro ou verde pode mudar em quatro anos o caos criado em oito", disse à EFE o reverendo Joseph Charles Murphy.

"Tenho uma carta redigida para Obama e, seja reeleito ou não, vamos enviá-la para pedir ajuda para atrair infraestrutura", explicou Murphy, que acredita que a construção de um pequeno centro comercial em uma área carente de serviços poderia contribuir para reduzir a violência. Murphy, um homem corpulento e tranquilo, rezou a missa, na qual as preces se misturam com sermões, abraços e música, em um programa de mais de duas horas que atraiu cem moradores neste final de semana e que termina com um almoço comunitário.

As eleições presidenciais estiveram muito presentes neste domingo. O também reverendo Bryant Jones, convidado a dar o sermão por conta do quarto aniversário da congregação, pediu aos fiéis, todos afro-americanos, que votassem amanhã. "Temos um trabalho a fazer. Temos que sair para votar. Obama precisa de nosso apoio", declarou Jones. A esperança segue firme em Altgeld Gardens, que promete renovar amanhã seu voto de confiança em Obama para que termine, dizem seus moradores, o trabalho que começou.

Americanos vão às urnas
Os americanos escolhem nesta terça-feira seu presidente. O atual mandatário, o democrata Barack Obama, disputa a preferência dos eleitores com o republicano Mitt Romney. Diferente do Brasil, as eleições americanas são indiretas. O candidato mais votado em cada Estado leva todos os seus delegados. No fim, o candidato com maior número de delegados - e não de votos - sai vencedor. O Terra, maior empresa latino-americana de mídia digital, faz a cobertura completa das eleições presidenciais nos EUA e acompanha a apuração de votos em tempo real.

EFE   
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