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Linha Azul ainda gera divergências entre Líbano e Israel

3 ago 2010
15h19
atualizado às 16h04

A troca de tiros ocorrida nesta terça-feira na fronteira entre Israel e Líbano atraiu as atenções internacionais para a "linha azul", traçada em 2000 pela ONU e que ainda causa divergências entre os dois países.

O incidente - no qual morreram ao menos três soldados libaneses, um jornalista e um soldado israelense - eclodiu quando um grupo de soldados israelenses quis cortar árvores na "linha azul".

Essa linha é o limite negociado pelas Nações Unidas para a fronteira entre Israel e Líbano com o "objetivo prático de confirmar a retirada de Israel" da zona meridional do Líbano em maio de 2000, após 22 anos de ocupação, segundo consta do relatório de 22 de maio de 2000 da Secretaria-Geral da ONU.

No entanto, "a ONU destaca em suas consultas com todas as fontes que não está tentando estabelecer uma fronteira internacional", acrescenta o documento.

Segundo o relatório, a delimitação internacional do Líbano se trata de "uma questão que devem realizar os estados em conformidade com o direito internacional e sua prática".

De 24 de maio a 7 de junho de 2000, uma equipe de cartógrafos da ONU, auxiliados pela Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul), trabalharam na área para traçar a linha "sem prejuízo de futuros acordos de fronteiras entre os Estados-membros interessados".

O objetivo era prevenir confrontos fronteiriços e "confirmar o cumprimento da resolução 425", pela qual se impunha a Israel a retirada do Líbano e se pedia ao Governo de Beirute que assumisse a responsabilidade de criar uma fronteira segura.

Israel completou sua retirada do Líbano em maio de 2000, mas nunca saiu das fazendas de Shebaa, localizadas entre as fronteiras de Líbano, Síria e Israel.

Após a guerra entre Israel e o grupo libanês Hisbolá, travada em julho e agosto de 2006, algumas partes da "linha azul" foram apagadas e a Finul teve de voltar a marcá-la.

Apesar das reservas iniciais, os Governos de Israel e do Líbano confirmaram que a identificação dessa linha era responsabilidade da ONU e se comprometeram com a demarcação, como se tinha estabelecido.

No entanto, o último relatório da Secretaria-Geral da ONU sobre o estado da missão da Finul, publicado em 1º de julho, constata violações reiteradas da "linha azul" por ambas as partes.

O texto assinala também que as Forças Armadas de Israel continuam ocupando a parte setentrional da aldeia de Ghajar e uma zona contígua ao norte da "linha azul" e realizam incursões "quase diariamente" no espaço aéreo libanês.

Segundo o relatório, também ocorreram violações por terra em território libanês, como a do último 13 de abril, quando Forças Armadas dos dois países se encontraram frente a frente nas proximidades de uma aldeia libanesa.

A ONU pede periodicamente aos dois países que atuem com "a máxima prudência" e que se abstenham de tomar qualquer medida que cause "mal-entendidos ou seja percebida como provocação".

Enquanto ocorrem os incidentes, a Finul prossegue com seu trabalho de limpar a região de minas e marcar "visivelmente" a "linha azul", que deve chegar a 38 quilômetros.

A demarcação da fronteira do Líbano com Síria e Israel é ainda um assunto pendente cuja resolução a ONU reivindica aos países envolvidos porque, conforme o último relatório, "a situação permanece frágil".

EFE   
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