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Líder do Irã descarta união com EUA apesar de acordo nuclear

"Mesmo com o acordo com o Irã, mudanças não serão observadas nas nossas políticas em relação ao arrogante sistema americano", anunciou Ali Khamenei durante discurso que marcou o fim do mês do Ramadã

18 jul 2015
04h47
atualizado às 08h54
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O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, descartou categoricamente neste sábado qualquer aproximação entre seu país e os Estados Unidos apesar do acordo nuclear firmado com o Grupo 5+1, um pacto ao qual voltou a demonstrar apoio de forma indireta ao pedir que sua tramitação avance.

Aiatolá Ali Khamenei saúda multidão durante a cerimônia de oração do Eid al-Fitr em Teerã, Irã, em 18 de julho
Aiatolá Ali Khamenei saúda multidão durante a cerimônia de oração do Eid al-Fitr em Teerã, Irã, em 18 de julho
Foto: Efe

"Mesmo com o acordo com o Irã, mudanças não serão observadas nas nossas políticas em relação ao arrogante sistema americano. As políticas dos EUA na região diferem em 180 graus das do Irã", afirmou o líder em um grande discurso em Teerã por ocasião da festa do Eid al-Fitr, o fim do mês do Ramadã.

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Perante milhares de fiéis, a máxima figura política e religiosa do país, cuja palavra é sempre a última em qualquer tema público na República Islâmica, fez um longo discurso no qual várias vezes se referiu ao histórico acordo que abre a possibilidade de encerrar o conflito entre o Irã e o ocidente sobre o programa nuclear.

Khamenei lembrou que o Irã não tem que negociar com os EUA sobre "diferentes temas mundiais e regionais" ou questões bilaterais. E que só se sentou à mesa de negociações com os representantes americanos para tratar de "temas excepcionais", como a questão nuclear, que obedece à "conveniência da República Islâmica".

"Aprovado ou não o texto do acordo, nós não deixaremos de apoiar nossos amigos da região e as nações oprimidas da Palestina, Iêmen, o governo e o povo da Síria, Iraque e o povo oprimido do Barein. Os honestos guerreiros da resistência sempre obterão nosso apoio".

Particularmente, o líder lembrou que o Irã jamais poderia negociar com um governo como o americano que apoia o regime "terrorista e infanticida" de Israel enquanto acusa de terrorismo as dedicadas forças de defesa nacional, como o Hezbollah no Líbano;

Para Khamenei, a noção de que o Irã poderia se aproximar do Ocidente após o fim da negociação nuclear obedece apenas à "compreensão destorcida, desviada e errônea" que alguns "inimigos" tentam demonstrar existir dentro do Irã.

Apesar das críticas aos americanos, o líder supremo se mostrou favorável ao conteúdo do acordo e deixou a decisão final sobre a aprovação do texto ao parlamento, como determina a lei.

Em outro gesto de aprovação, Khamenei agradeceu mais uma vez o papel da equipe de negociação nuclear iraniana e ao governo do moderado presidente Hassan Rohani por seus esforços, repetindo os elogios já feitos em várias ocasiões antes e depois do anúncio do acordo na última terça-feira.

O acordo de Viena entre o Irã e o Grupo 5+1 (EUA, França, China, Reino Unido, Rússia, mais Alemanha) foi interpretado por Teerã como "um novo começo" das relações do país com o mundo.

O pacto prevê o direito de o Irã ter uma indústria atômica própria, apesar de severamente limitada e controlada para que não possa ter fins bélicos. Por outro lado, as sanções impostas à República Islâmica serão suspensas.

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EFE   
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