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Oriente Médio

Europeus querem resposta forte na Síria, mas sem apoio à ação militar

7 set 2013 - 17h25
(atualizado às 17h46)
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Os países europeus concordaram neste sábado com a necessidade de uma resposta internacional forte na Siria, mas não apoiaram o projeto de intervenção militar defendido pelo secretário de Estado americano, John Kerry.

Um dia depois da reunião de cúpula do G20 na qual o presidente americano, Barack Obama, não conseguiu um amplo apoio internacional, o presidente pediu ao Congresso americano que aprove uma intervenção militar contra a Síria.

"Somos os Estados Unidos. Não podemos continuar com os olhos vendados diante das imagens que temos visto na Síria", declarou em seu programa semanal de rádio.

O governo dos Estados Unidos conseguiu a adesão da Alemanha ao pedido de "resposta internacional forte" aos ataques químicos cometidos em 21 de agosto nas proximidades de Damasco, que na véspera foi assinado por 11 países do G20.

Sem retomar exatamente os termos do pedido, os ministros europeus das Relações Exteriores pediram neste sábado em Vilna uma "resposta clara e forte".

Ao ler a declaração final do encontro, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, destacou que os ministros concordam que existem "fortes suspeitas" de que o regime sírio é responsável pela utilização de armas químicas nos ataques que provocaram centenas de mortes nos subúrbios de Damasco.

Mas os ministros insistiram que "apenas uma solução política pode acabar com o terrível banho de sangue, as graves violações dos direitos humanos e a destruição da Síria".

John Kerry, que viajou a Vilna para explicar a posição de Washington, celebrou o acordo. "Estamos muito satisfeitos com a declaração dos europeus, uma declaração forte baseada no princípio de responsabilidade", declarou, antes de deixar a Lituânia.

"Fiquei encorajado pela declaração que a União Europeia deu", afirmou Kerry em uma coletiva de imprensa conjunta com seu colega francês Laurent Fabius.

"Vários países - uma cifra de dois dígitos - estão preparados para fazer parte de uma ação militar", acrescentou.

Fabius, por sua vez, também elogiou o apoio crescente à ideia de uma ação na Síria. "Existe um apoio amplo e crescente. Agora, sete dos oito países do G8 compartilham desta ideia", afirmou.

O chanceler francês desmentiu que a França e os Estados Unidos estejam isolados no cenário internacional ante sua vontade de realizar uma ação militar contra Damasco.

A chefe de Governo da Alemanha, Angela Merkel, por sua vez, comemorou a posição unânime europeia e destacou a "importância inestimável".

Os países europeus mais prudentes manifestaram satisfação com o compromisso assumido na sexta-feira pelo presidente francês, François Hollande, de esperar a divulgação do relatório da ONU antes de entrar em uma operação militar. "Recebemos muito favoravelmente as declarações de Hollande", resumiu Ashton.

"Isto permitiu desbloquear as discussões em Vilna", disse um diplomata.

Mas John Kerry notificou aos aliados europeus que Washington não assumiu o mesmo compromisso.

"Disse claramente que os Estados Unidos não decidiram esperar este relatório antes de uma possível ação", explicou uma fonte americana.

Kerry viajará ainda no fim de semana a Paris e Londres, antes de retornar a Washington na segunda-feira.

Obama defende ataques 'limitados'

Obama, que pretende discursar aos americanos na terça-feira, defendeu na semana passada ataques "seletivos e limitados" contra a Síria, mas somente depois de receber autorização do Congresso, que voltará a se reunir na segunda-feira.

Muitos países da União Europeia consideram o relatório da ONU uma etapa essencial para confirmar de maneira independente as acusações de ataques químicos.

Jean Asselborn, chefe da diplomacia de Luxemburgo, país que atualmente tem uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, afirmou que a elaboração do documento ainda pode demorar uma semana e meia.

Segundo Asselborn, é possível que "elementos importantes sejam transmitidos ao Conselho de Segurança" antes da publicação formal.

Os contatos diplomáticos prosseguirão durante todo o fim de semana, especialmente na França, onde Hollande se reunirá com o presidente libanês, Michel Suleimane.

O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) pediu neste sábado à comunidade internacional uma intervenção imediata na Síria para "libertar" o povo da "tirania" de seu governo.

O CCG é integrado por Bahrein, Kuwait, Omã, Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita.

Contrário a uma intervenção, o papa Francisco convidou cristãos, fiéis de outras religiões e até não religiosos ateus a uma jornada de jejum e oração neste sábado. 

No campo de batalha, os combates entre forças leais ao regime sírio e os rebeldes foram retomados na cidade cristã de Maalula e arredores, ao norte de Damasco, dois dias depois da retirada dos insurgentes de uma das entradas da localidade.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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