0

Oposição nega que tenha começado diálogo com governo egípcio

3 fev 2011
08h34
atualizado às 09h12
  • separator

Representantes dos partidos da oposição negaram nesta quinta-feira o anúncio oficial realizado pelo governo egípcio sobre o início do diálogo entre o vice-presidente do país, Omar Suleiman, e as forças políticas.

O dirigente do partido Ghad, Ayman Nour, disse à agência EFE que "as informações são falsas" e que não estão "participando de nenhum diálogo. Não haverá diálogo com o sangue nem com os coquetéis molotov. O sangue ainda está derramado no solo da praça Tahrir".

Nour, um dos principais líderes tradicionais da oposição egípcia, assinalou que "o sangue ainda está derramado no solo da praça Tahrir" e pediu as autoridades "punição aos responsáveis pelos crimes da véspera" antes do início do diálogo.

A televisão egípcia havia anunciado previamente o começo do diálogo entre o vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, e os 18 partidos políticos.

A rede de televisão citou o primeiro-ministro, Ahmed Shafiq, quem confirmou que o diálogo inclui representantes dos manifestantes que há dez dias pedem a renúncia do presidente Hosni Mubarak na praça Tahrir.

Shafiq disse à televisão que "todo o ocorrido na véspera será investigado pelas autoridades", em referência aos enfrentamentos entre partidários de Mubarak e manifestantes, que acabaram com sete mortos e 1,2 mil feridos, pelas fontes da oposição.

O dirigente do partido opositor Tagamu Hussein Abdel Raseq também desmentiu à EFE que os partidos tenham começado um diálogo com Suleiman.

"Os partidos aceitaram o diálogo depois que Mubarak dissesse em seu discurso que não concorreria a outro mandato presidencial, mas depois do crime contra os manifestantes em Tahrir, todos os partidos nacionais disseram que é impossível negociar com um poder que tem pistoleiros", garantiu.

Em seu discurso há dois dias, Mubarak, no poder desde 1981, reiterou que havia pedido a Suleiman, recém-nomeado, "que dialogasse com todas as forças políticas".

Raseq garantiu que os principais partidos opositores, entre eles Wafd e Ghad, além de seu grupo Tagamu, estão em contato e que todos rejeitem dialogar com o Governo.

Além disso, Raseq insistiu em que os grupos políticos querem a dissolução do Parlamento, uma nova lei de direitos políticos e a reforma da Constituição.

"Com a Constituição atual qualquer pessoa que for escolhida como presidente, embora seja um profeta, se transformará em um ditador", garantiu Raseq, quem deixou clara sua posição: "não ao diálogo com assassinos".

Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. Passaram a fazer parte dela o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro da Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que reinaugurou o cargo de vice-presidente, posto inexistente no país desde 1981. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.

Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já os Irmãos Muçulmanos disseram que não iriam dialogar com o novo governo. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milharesde pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo. Apesar de os protestos de ontem terem sido pacíficos, a ONU estima que cerca de 300 pessoas já tenham morrido no país desde o início dos protestos.



EFE   
publicidade