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ONU diz que há risco de desastre nuclear na Ucrânia com usina 'fora de controle'

Zaporizhzhia foi ocupada por forças russas em março e a Ucrânia acusa Moscou de direcionar ataques para a usina ou disparar mísseis a partir dela.

6 ago 2022 - 15h58
(atualizado às 18h16)
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Funcionários ucranianos na usina precisam realizar suas importantes funções "sem ameaças ou pressão", disse o chefe da agência nuclear da ONU
Funcionários ucranianos na usina precisam realizar suas importantes funções "sem ameaças ou pressão", disse o chefe da agência nuclear da ONU
Foto: Reuters / BBC News Brasil

A agência nuclear da ONU pediu o fim imediato de ações militares russas perto da usina de Zaporizhzhia, na Ucrânia, e fez o alerta de que há um "risco bastante real de um desastre nuclear".

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, disse estar "extremamente preocupado" com os relatos de bombardeios na maior usina nuclear da Europa.

A Ucrânia afirma que partes da instalação, ocupada pelos russos em março, foram "seriamente danificadas" por forças militares.

Os russos mantiveram os funcionários ucranianos nas operações, mas o governo ucraniano acusa Moscou de empregar "táticas de terror" com o disparo de foguetes contra áreas civis a partir do local.

O Ministério da Defesa do Reino Unido diz que a Rússia está usando a área para lançar ataques - aproveitando o "status protegido" da usina nuclear para reduzir o risco de ataques noturnos das forças ucranianas.

A usina fica nas proximidades da cidade de Energodar, no sudeste ucraniano, ao longo da margem esquerda do rio Dnieper.

Ataques realizados na última desta sexta-feira (05/08) mostram ameaças "à saúde pública e ao meio ambiente na Ucrânia e além de seu território", disse Grossi em comunicado.

"Qualquer poder de fogo militar direcionado para a instalação ou realizado a partir dela equivale a brincar com fogo, com consequências potencialmente catastróficas", acrescentou.

Os funcionários ucranianos na usina precisam realizar suas importantes funções "sem ameaças ou pressão", disse ele, ressaltando que a AIEA deve ser autorizada a fornecer suporte técnico.

"Para proteger as pessoas na Ucrânia e em outros lugares de um possível acidente nuclear, devemos todos deixar de lado nossas diferenças e agir agora. A AIEA está pronta", disse Grossi, dias depois de afirmar que a usina estava "completamente fora de controle".

A Enerhoatom, a agência nuclear ucraniana que é responsável pela operação da usina, disse que ataques com mísseis russos forçaram o fechamento de uma "unidade de energia" e acrescentou que havia risco de vazamentos radioativos.

Incêndio em março na usina de Zaporizhzhia, quando as instalações foram ocupadas pelas forças militares russas
Incêndio em março na usina de Zaporizhzhia, quando as instalações foram ocupadas pelas forças militares russas
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

As ações "causaram um sério risco para a segurança operacional da usina", escreveu a Enerhoatom no Telegram.

Moscou, por sua vez, acusa a Ucrânia de realizar o ataque.

A BBC não conseguiu verificar de forma independente os danos relatados na usina nuclear.

No entanto, a União Europeia condenou a Rússia pelo mais recente bombardeio. O chefe da diplomacia do bloco, Josep Borrell, afirmou que "é uma violação séria e irresponsável das regras de segurança nuclear e outro exemplo do desrespeito da Rússia pelas normas internacionais".

Borrell pede que a AIEA tenha acesso à usina.

As forças russas mantêm sob seu domínio as instalações nucleares, que consistem em seis reatores de água pressurizada e armazenam resíduos radioativos, e também exercem controle sobre áreas vizinhas.

Civis nas proximidades de Nikopol, cidade que fica do outro lado do rio Dnieper e ainda sob controle ucraniano, relataram à BBC que os russos estavam disparando foguetes a partir da área ao redor da usina e transportando equipamentos militares para o complexo.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse na sexta que "qualquer bombardeio deste local é um crime desavergonhado, um ato de terror".

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62452544

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