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O que se sabe até agora sobre o ataque do Irã a bases americanas?

Teerã lançou mísseis em retaliação à morte de general Soleimani

8 jan 2020
11h17
atualizado às 11h30
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O Irã lançou durante a madrugada desta quarta-feira (8) a operação "Soleimani Mártir", disparando mais de uma dezena de mísseis contra duas bases militares americanas no Iraque. A operação foi uma retaliação à morte do general Qassem Soleimani, ocorrida em um ataque ordenado por Donald Trump, na semana passada, em Bagdá. Ele era um dos homens mais influentes do regime iraniano.

Teerã lançou mísseis em retaliação à morte de general Soleimani
Teerã lançou mísseis em retaliação à morte de general Soleimani
Foto: EPA / Ansa - Brasil

As bases atingidas são a de Ayn al-Assad e de Erbil, as quais hospedam tropas americanas e militares estrangeiros da coalizão internacional. Até o momento, não há informações exatas sobre danos, mortos ou feridos.

A Guarda Revolucionária do Irã, sem apresentar provas ou evidências, chegou a declarar que mais de 80 militares americanos tinham sido mortos e 200 teriam ficado feridos. Mas fontes americanas e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disseram que não há baixas para EUA e Reino Unido. O governo do Iraque também relatou que nenhum militar do país foi morto e que o Irã chegou a alertar previamente do ataque contra alvos americanos.

O governo de Bagdá "imediatamente alertou o comando militar iraquiano para que tomasse as medidas necessárias", assim que foi informado do iminente ataque "a áreas onde estava o Exército americano no Iraque", disse, em comunicado, o escritório do primeiro-ministro Adel Abdul Mahdi. Apesar disso, o Parlamento iraquiano condenou a ação de Teerã, acusando o Irã de "violar a soberania" do país.

As autoridades militares iraquianas disseram que o Irã lançou 22 mísseis, sendo 17 deles contra a base al-Assad. Dois desses 17 teriam caído sem explodir a oeste da cidade de Hit, e outros cinco foram disparados contra a base da coalizão internacional em Erbil, entre às 1h45 e 2h15 locais de quarta-feira (noite de terça-feira em Brasília).

De acordo com a emissora CNN, o Iraque, alertado pelo Irã, teria também avisado as autoridades americanas sobre o iminente ataque. O presidente norte-americano, Donald Trump, ia fazer um pronunciamento na noite de ontem, mas postergou para esta quarta-feira.

Pelo Twitter, o republicano disse apenas que "tudo estava bem" e que o governo estava avaliando a situação. "Tudo está bem. Mísseis foram lançados do Irã contra duas bases militares localizadas no Iraque. Avaliação de vítimas e danos está sendo feita agora. Até agora, tudo bem. Nós temos o mais poderoso e melhor equipado exército do mundo", escreveu.
   

Ameaças 

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, disse que o lançamento de mísseis foi um gesto de "legítima defesa" contra o "ataque terrorista" que provocou a morte do general Soleimani. Zarif também evocou o artigo 51 da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) como justificativa para a ação de Teerã.

O documento permite que Estados usem da violência em resposta a uma agressão. A prerrogativa é que seja feita a imediata comunicação ao Conselho de Segurança sobre a medida adotada para a autodefesa. 

"O general Soleimani combateu heroicamente contra o Estados Islâmico, a al Nusra, a Al-Qaeda e outros [grupos terroristas]. Se não fosse sua guerra ao terrorismo, as capitais europeias estariam em grande perigo", escreveu, no Twitter, o presidente iraquiano, Hassan Rohani. "A nossa resposta à sua morte consistirá na caça a todas as forças dos Estados Unidos na região", acrescentou.

"Vocês cortaram os braços do general Qassem Soleimani. Nós cortaremos seus pés da região", disse o presidente.

Já o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que país deu "um tapa na cara dos Estados Unidos". "O Irã deu um tapa na cara dos Estados Unidos com o ataque de mísseis às bases militares. Mas ainda não é o bastante e a presença corrupta dos EUA deve acabar", afirmou.

Análise 

Na avaliação de analistas, a reação do Irã foi estratégica e teve seus efeitos calculados, evitando provocar mortes de americanos. O regime teria capacidade de atacar áreas de maior concentração de americanos ou até comunidades civis, mas preferiu fazer uma retaliação centralizada nas tropas americanas. Essa avaliação pode ser apresentada ainda hoje pelo secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo.

"Jogar mísseis de alta precisão em uma base aérea e não morrer ninguém é uma decisão proposital. Ou Irã tem uma mira muito ruim ou muito boa", disse o diretor-executivo da StandWithUs Brasil, André Lajst. "O Irã precisava fazer alguma coisa para o consumo interno, para manter o apoio das próprias forças militares e da população. Eles precisavam responder, mas agindo com cautela", ressaltou Lajst, lembrando que Trump, no fim de semana, ameaçou atacar 52 alvos iranianos caso Teerã matasse um americano.

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Ansa - Brasil   
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