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Novo governo bancado por presidente toma posse na Tunísia

Parlamento do país africano continua suspenso

11 out 2021 12h37
| atualizado às 12h46
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O novo governo da Tunísia tomou posse nesta segunda-feira (11), dois meses e meio depois de o Executivo anterior ter sido destituído pelo presidente Kais Saied.

Najla Bouden é a primeira mulher premiê em um país árabe
Najla Bouden é a primeira mulher premiê em um país árabe
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Guiado por Najla Bouden Romdhane, primeira mulher premiê em um país árabe, o gabinete terá como missão combater a corrupção e impulsionar a economia, ao mesmo tempo em que buscará revitalizar a confiança no percurso democrático empreendido pela Tunísia após a Primavera Árabe.

"O presidente da República promulgou um decreto que nomeia a chefe do governo e seus membros", diz um comunicado do gabinete de Saied.

A equipe de Bouden é composta por 24 ministros, incluindo oito mulheres, como Leila Jaffel (Justiça), Imed Memich (Defesa), Hayet Ktat Guermazi (Cultura) e Leila Chikhaoui (Meio Ambiente).

O novo Executivo não precisou passar pelo voto de confiança do Parlamento, que está suspenso desde 25 de julho, o que, na prática, o torna um "governo do presidente".

"A luta contra a corrupção, a melhoria das condições de vida e do poder de compra dos cidadãos e a retomada econômica estão entre as prioridades", disse a premiê. "Precisamos restabelecer a confiança dos cidadãos no Estado tunisiano e dos países estrangeiros em nossa nação", acrescentou.

Crise

Berço da Primavera Árabe, a Tunísia mergulhou no fim de julho em uma crise política que colocou em risco sua ainda jovem democracia.

Além de ter fechado o Parlamento, o presidente destituiu o então primeiro-ministro Hichem Mechichi, na esteira de protestos contra o governo por causa da crise econômica e da gestão da pandemia de Covid-19.

Eleito presidente em 2019, Saied assumiu temporariamente as funções de chefe de governo, se apoiando em um artigo da Constituição que permite o congelamento dos trabalhos do Parlamento em caso de "perigo iminente".

O partido islâmico Ennahda, dono da maior bancada no Legislativo, acusa o presidente de promover um "golpe de Estado". O mandatário, por sua vez, afirma que a intervenção foi necessária para evitar o "colapso" do país.

Saied é apenas o segundo chefe de Estado eleito por voto universal na Tunísia, caso único de democracia - ainda que frágil e incipiente - entre os países que protagonizaram a Primavera Árabe.

No entanto, apesar de ter iniciado um percurso democrático, a nação africana conviveu na última década com uma perene instabilidade política, que sempre bloqueou esforços para relançar a economia e fazer as reformas pedidas pela comunidade internacional.

Ansa - Brasil   
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