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Namorada de Khashoggi critica ex-premiê da Itália

Renzi chamou Arábia Saudita de 'lugar do novo Renascimento'

3 mar 2021
13h05
atualizado às 13h14
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A namorada do jornalista saudita Jamal Khashoggi na época de seu assassinato criticou o ex-primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi por participar de uma conferência de propaganda promovida pelo príncipe Mohammed bin Salman, acusado de ser o mandante do crime.

Mural em Roma ironiza proximidade entre Mohammed bin Salman e Matteo Renzi
Mural em Roma ironiza proximidade entre Mohammed bin Salman e Matteo Renzi
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em entrevista à ANSA, Hatice Cengiz disse que "não é possível estar bem informado sobre a Arábia Saudita e, ao mesmo tempo, sustentar que o príncipe herdeiro Mohamed bin Salman é um reformista".

"Não entendo por que Renzi fez isso. Talvez ele deva tentar entender melhor a realidade da situação na Arábia Saudita e o que Bin Salman fez a Jamal", declarou Cengiz.

Pivô da crise que culminou na renúncia de Giuseppe Conte, Renzi participou de um evento com MbS em plena crise política na Itália e usou tons amistosos para se referir ao príncipe, chegando inclusive a dizer que a Arábia Saudita poderia ser o "lugar do novo Renascimento".

"É um grande prazer e uma honra estar com o grande príncipe herdeiro Mohammed bin Salman", afirmou o ex-primeiro-ministro no evento. Cerca de um mês depois, no fim de fevereiro, Renzi se defendeu das críticas recebidas na Itália e disse que a Arábia Saudita é um "baluarte contra o extremismo islâmico".

"Respeitar os direitos humanos é uma exigência que deve ser apoiada na Arábia Saudita, na China, na Rússia, no Oriente Médio, na Turquia. Quem conhece o ponto do qual o regime saudita partiu sabe que o Vision 2030 [programa de modernização econômica promovido por MbS] é a ocasião mais importante para desenvolver a inovação e ampliar direitos", disse Renzi em uma newsletter.

A Arábia Saudita é governada por uma monarquia autoritária baseada no wahabismo, seita radical do Islã sunita que está na raiz ideológica e religiosa de movimentos fundamentalistas e grupos terroristas no Oriente Médio. Essa vertente exportada por Riad influenciou, entre outros, o Estado Islâmico (EI).

Além de limitar os direitos de minorias religiosas, da comunidade LGBT e das mulheres, o regime saudita é acusado de perseguir opositores e dissidentes, como Khashoggi, que foi torturado, morto e esquartejado dentro do consulado do país árabe em Istambul.

Desde então, a Arábia Saudita já forneceu diversas versões sobre a morte do jornalista. Inicialmente, negou o falecimento. Depois, admitiu o assassinato, mas afirmando que havia sido um acidente resultante de uma "briga corporal".

Por fim, o país confirmou que o homicídio foi premeditado, porém descartando qualquer envolvimento do príncipe herdeiro, que tenta emplacar uma imagem de reformista - agentes próximos a MbS estavam no consulado no momento do crime.

Na semana passada, o governo de Joe Biden divulgou um relatório que afirma que o príncipe "provavelmente autorizou" uma operação para "capturar ou matar" Khashoggi. Em sua entrevista à ANSA, Hatice Cengiz cobrou sanções a MbS pelo assassinato do jornalista.

"Mohammed bin Salman pode ordenar o homicídio de uma pessoa inocente e, mesmo depois de todos saberem o que ele fez, não há ainda nenhuma punição. Acho que deve haver sanções contra o príncipe. Precisamos de ações, e não apenas de palavras", declarou.  

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