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Moções pedem dissolução de grupo neofascista na Itália

Força Nova liderou ataque ao maior sindicato do país

11 out 2021 09h07
| atualizado às 09h22
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Partidos de centro e esquerda da Itália apresentaram nesta segunda-feira (11) moções para obrigar o governo a dissolver o movimento neofascista Força Nova, que invadiu a sede do principal sindicato do país durante um protesto contra um certificado sanitário anti-Covid no último fim de semana.

Manifestação do movimento neofascista Força Nova em 22 de maio de 2021
Manifestação do movimento neofascista Força Nova em 22 de maio de 2021
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O primeiro texto é de autoria do Partido Democrático (PD), maior legenda de centro-esquerda na Itália, enquanto o segundo é assinado por parlamentares da sigla de centro Itália Viva (IV) e do Partido Socialista Italiano (PSI). Ambos foram protocolados no Senado.

"Nossa moção pede que o governo, através de instrumentos previstos pelas leis vigentes, dissolva a organização neofascista Força Nova e todos os outros grupos que remetem ao fascismo. Esperamos que todas as forças políticas autenticamente democráticas a apoiem", disseram as líderes do PD no Senado, Simona Malpezzi, e na Câmara, Debora Serracchiani.

Na prática, as duas moções pedem a ativação de um artigo da Constituição Italiana que "proíbe, sob qualquer forma, a reorganização do partido fascista". "Não há dúvidas de que o Força Nova seja uma organização política de extrema direita inspirada no fascismo", diz o texto apresentado pelo PD.

Fundado em 1997, o FN recusa o rótulo de "neofascista", mas suas manifestações são sempre repletas de referências nostálgicas ao ditador Benito Mussolini e a símbolos do fascismo, como a saudação romana.

No último sábado (9), o grupo participou de um protesto em Roma contra a exigência de certificado sanitário anti-Covid em todos os locais de trabalho na Itália, regra que entra em vigor em 15 de outubro.

Durante o ato, militantes do Força Nova instaram a multidão a atacar sedes das instituições, como o Palácio Chigi, que abriga o gabinete do premiê Mario Draghi, e lideraram uma invasão à Confederação Geral Italiana do Trabalho (Cgil), principal sindicato do país.

A ação fez renascer o fantasma do "squadrismo", tática paramilitar de intimidação contra oponentes incorporada pelo fascismo logo em seus primórdios. "O episódio, sem sombra de dúvidas, entra no cânone do squadrismo armado do qual o fascismo se valeu entre 1920 e os anos sucessivos para a eliminação de adversários políticos", diz a moção do PSI e do IV contra o Força Nova.

O FN é historicamente próximo do partido de extrema direita Irmãos da Itália (FdI), que hoje lidera praticamente todas as pesquisas de intenção de voto em âmbito nacional. A própria líder do FdI, a popular deputada Giorgia Meloni, admitiu que a ação do Força Nova foi "squadrista", mas não quis defini-la como "fascista".

"Com certeza é violência e squadrismo, porém não conheço a origem. Se é fascista ou não é fascista, não é esse o ponto. O ponto é que é violência, é squadrismo, e essa coisa deve ser sempre combatida", declarou Meloni no último domingo (10).

Seis pessoas foram presas após a invasão da Cgil, incluindo Roberto Fiore, fundador e líder do Força Nova. O sindicato também recebeu a visita de Draghi nesta segunda-feira.

Ansa - Brasil   
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