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Jovens criticam Brasil e outros países por omissão no combate à mudança climática

23 set 2019
17h48
atualizado às 18h00
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A adolescente sueca Greta Thunberg e outros 15 jovens ativistas apresentaram nesta segunda-feira uma queixa ao Comitê dos Direitos da Criança da ONU, alegando que a falta de ação de líderes mundiais, incluindo do Brasil, em relação à crise climática violou os direitos das crianças.

Ativista sueca Greta Thunberg fala ao lado de jovens de outros 12 países em apresentação de queixa ao Comitê dos Direitos da Criança da ONU, em Nova York 
23/09/2019
REUTERS/Shannon Stapleton
Ativista sueca Greta Thunberg fala ao lado de jovens de outros 12 países em apresentação de queixa ao Comitê dos Direitos da Criança da ONU, em Nova York 23/09/2019 REUTERS/Shannon Stapleton
Foto: Reuters

Os jovens, com idades entre 8 e 17 anos e oriundos de 12 países diferentes, choraram ao apresentar a queixa na sede do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e deram relatos pessoais sobre como suas vidas e lares foram afetados pela mudança climática decorrente da omissão dos políticos.

"Os líderes mundiais não cumpriram o que prometeram. Eles prometeram proteger nossos direitos e não fizeram isso", disse Thunberg, que falou depois de fazer um discurso apaixonado nesta segunda-feira na Organização das Nações Unidas (ONU).

Argentina, Brasil, França, Alemanha e Turquia são os países acusados de saber do impacto de suas emissões de carbono sobre o clima e não fazer nada para mitigar seus efeitos.

Os acusados são alguns dos maiores emissores de carbono dos 45 países que assinaram um protocolo que permite que as crianças busquem reparação sob a Convenção dos Direitos da Criança de 1989. Outros grandes emissores de carbono como os Estados Unidos e a China não assinaram o protocolo.

A queixa é a mais recente ação liderada por jovens para denunciar a crescente ameaça das mudanças climáticas e extinção em massa. Na sexta-feira, cerca de 4 milhões de pessoas participaram do que se chamou de greve climática global, inspirada em Greta Thunberg, de 16 anos, que iniciou uma greve semanal na escola em agosto de 2018 para tentar aumentar a conscientização sobre o assunto.

"Não permitiremos que tirem o nosso futuro. Eles tinham o direito de ter o seu futuro; por que não temos o direito de ter o nosso?", questionou Catarina Lorenzo, 12 anos, de Salvador, Brasil.

O aquecimento global já levou a secas e ondas de calor, derretimento de geleiras, aumento do nível do mar e inundações, e cientistas dizem que a crise se intensificou desde 2015, quando os líderes mundiais assinaram o Acordo de Paris para combater o fenômeno causado pela emissão de gases estufa como gás carbônico.

Três das crianças que assinaram a petição e são provenientes das Ilhas Marshall pediram a líderes mundiais que visitem seu país para verem em primeira mão como o aumento do nível do mar está engolindo as ilhas do Pacífico central.

"Eu mostraria meu quintal", disse Litokne Kabua, 16 anos, que afirmou que o oceano avançou sobre as propriedades de sua família nos últimos anos.

A presidente das Ilhas Marshall, Hilda Heine, disse na segunda-feira que buscará a aprovação do Parlamento para declarar uma crise climática.

Segundo Heine, seu país e Nova Zelândia, Suécia, Noruega, Dinamarca e outros, que formam o bloco Alta Ambição nas negociações climáticas da ONU, se comprometerão a zerar emissões de gases de efeito estufa até 2050.

Mais de 60 líderes mundiais e executivos de empresas devem participar da Assembléia Geral nesta semana e anunciar medidas de financiamento para ações climáticas e transição da energia proveniente da queima de combustíveis fósseis.

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