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Jovem saudita deixa Tailândia após obter asilo no Canadá

11 jan 2019
16h06
atualizado às 16h51
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Uma jovem saudita que fugiu para a Tailândia afirmando ter medo de ser assassinada pela própria família deixou o país na sexta-feira com destino ao Canadá, onde obteve asilo, disse o chefe da imigração tailandesa.

Chefe da imigração da Tailândia, Surachate Hakparn, fala com jornalistas
11/01/2019
REUTERS/Athit Perawongmetha
Chefe da imigração da Tailândia, Surachate Hakparn, fala com jornalistas 11/01/2019 REUTERS/Athit Perawongmetha
Foto: Reuters

A saga de Rahaf Mohammed al-Qunun chamou a atenção internacional nesta semana depois que ela se trancou em um quarto de hotel no aeroporto de Bangcoc para resistir a ser mandada de volta para sua família, que nega qualquer abuso.

Um vôo da Korean Air com Rahaf partiu de Bangcoc para Seul na noite de sexta-feira às 23h37 (horário local), disse à Reuters uma autoridade do aeroporto.

Rahaf embarcará em um voo de conexão para Toronto no aeroporto Incheon, em Seul.

"Era seu desejo ir ao Canadá", disse o chefe da imigração da Tailândia, Surachate Hakparn, a repórteres.

"Ela ainda se recusa a se encontrar com seu pai e irmão, e eles vão viajar de volta hoje à noite também... Eles estão desapontados."

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, confirmou nesta sexta-feira que seu país concedeu asilo à jovem.

Rahaf chegou a Bangcoc no sábado e, inicialmente, teve a entrada negada mas na área de trânsito do aeroporto de Suvarnabhumi ela começou a postar mensagens no Twitter afirmando que havia "escapado do Kuweit" e que sua vida estaria em perigo se fosse forçada a retornar à Arábia Saudita. Em poucas horas, uma campanha surgiu como #SalveRahaf, espalhada pelo Twitter por uma rede de ativistas.

Após 48 horas tensas no aeroporto de Bangcoc, algumas delas trancada em um quarto de hotel, ela pôde entrar no país e foi considerada uma refugiada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Rahaf tem acusado sua família de abuso, e se recusou a encontrar seu pai e irmão que foram a Bangcoc tentar levá-la de volta à Arábia Saudita.

O caso chamou atenção para as rígidas normas sociais da Arábia Saudita, incluindo a exigência de que mulheres tenham a permissão de um "guardião" homem para poder viajar, o que, segundo grupos de direitos humanos, pode tornar mulheres e meninas prisioneiras de famílias abusivas.

A história também surge no momento em que Riad enfrenta rara vigilância de aliados do Ocidente, devido ao assassinato do jornalista Jamal Khashoggi dentro do consulado saudita em Istambul em outubro e às consequências humanitárias da guerra do Iêmen.

Na quarta-feira, a Austrália disse estar considerando receber Rahaf.

Por volta do meio-dia de sexta-feira, Rahaf postou em sua conta no Twitter que ela tinha "boas e más notícias!", mas a conta ficou offline pouco tempo depois.

Um usuário do Twitter conhecido como Nourah, a quem Rahaf se referiu como um amigo, tuitou que Rahaf "recebeu ameaças de morte e por isso fechou sua conta no Twitter".

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