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Johnson alerta UE contra tarifas "napoleônicas" em caso de Brexit sem acordo

25 jun 2019 - 11h22
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O ex-prefeito de Londres Boris Johnson, favorito a ocupar o cargo de primeiro-ministro britânico, reiterou estar preparado para retirar o Reino Unido da União Europeia sem um acordo em 31 de outubro e alegou que qualquer tentativa da UE de impor tarifas comerciais seria similar a um bloqueio napoleônico.

Ex-prefeito de Londres e candidato a premiê do Reino Unido Boris Johnson
22/06/2019
REUTERS/Hannah McKay
Ex-prefeito de Londres e candidato a premiê do Reino Unido Boris Johnson 22/06/2019 REUTERS/Hannah McKay
Foto: Reuters

A crise de três anos em torno do Brexit pode estar prestes a se aprofundar, já que a promessa de Johnson de deixar a UE com ou sem um acordo poderia provocar um impasse com o Parlamento, que indicou se opor a um cenário sem acordo.

Isso significa que não haveria um período de transição e a saída seria abrupta, desenhando um cenário de pesadelo para muitos líderes empresariais e o sonho de inflexíveis apoiadores do Brexit que querem uma separação decisiva.

Johnson, ex-ministro das Relações Exteriores, disse estar convencido de que a UE concordaria com um novo acordo baseado em partes da anterior proposta elaborada pela atual premiê, Theresa May.

"Meu compromisso é sair da UE no Halloween, em 31 de outubro", disse Johnson, de 55 anos, à BBC TV, acrescentando que havia "ajustes técnicos" para impedir o retorno de uma fronteira física entre a Irlanda, país-membro da UE, e a Irlanda do Norte, que é parte do Reino Unido.

Johnson reafirmou sua opinião, contestada por muitos, de que o Reino Unido poderia manter o comércio com a UE livre de tarifas após uma saída sem acordo.

"Eu acho que seria muito bizarro se a UE decidisse por conta própria... se eles decidissem impor tarifas sobre mercadorias vindas do Reino Unido seria... um retorno ao sistema (de bloqueio) continental de Napoleão", disse Johnson à rádio LBC nesta terça-feira.

O "Bloqueio Continental" de Napoleão Bonaparte tinha por objetivo prejudicar a economia britânica durante as guerras napoleônicas do início do século 19.

O presidente do banco central da Inglaterra, Mark Carney, disse que uma cláusula que permite que o comércio continue inalterado entre duas partes, se assim o decidir, só poderia ser aplicada quando um acordo comercial estivesse em vigor ou prestes a entrar em vigor.

Johnson repetiu uma alerta de que haveria "ambiguidade criativa" sobre quando e como um valor previamente acordado de 39 bilhões de libras seria pago à UE.

Ele afirmou, ainda, que não queria um Brexit sem acordo -- cenário que, segundo os investidores, preocuparia os mercados financeiros e causaria ondas de choque na economia europeia --, mas que era necessário colocá-lo na mesa para que o Reino Unido pudesse obter o resultado desejado.

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