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Itália vive dia decisivo para futuro do governo

País arrisca cair em crise política em plena pandemia

12 jan 2021
12h47
atualizado às 12h59
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O governo da Itália faz nesta terça-feira (12) uma reunião decisiva que pode até sacramentar o fim do segundo governo de Giuseppe Conte.

O primeiro-ministro Giuseppe Conte está com o cargo em risco
O primeiro-ministro Giuseppe Conte está com o cargo em risco
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O gabinete do premiê se reunirá às 17h30 (horário de Brasília) para aprovar o plano italiano de utilização do fundo de recuperação da União Europeia, mas são cada vez mais fortes os rumores de que as ministras Teresa Bellanova (Agricultura) e Elena Bonetti (Família) renunciarão.

As duas pertencem ao partido de centro Itália Viva (IV), fundado e liderado pelo ex-premiê Matteo Renzi e que, apesar de minoritário na base aliada, é essencial para o governo ter maioria no Senado.

O IV é uma dissidência do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), que também dá apoio a Conte, enquanto Renzi sempre foi inimigo declarado do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), principal fiador político do atual primeiro-ministro.

Essa antes improvável aliança foi formada em setembro de 2019 para evitar que a saída de Matteo Salvini do primeiro governo Conte provocasse eleições antecipadas e desse plenos poderes à extrema direita.

As relações na base aliada, no entanto, sempre foram marcadas por turbulências, especialmente por causa das discordâncias históricas entre Renzi e o M5S.

Pressionado pelo Itália Viva, Conte alterou alguns itens do plano italiano para o fundo da recuperação da UE, mas o partido de centro também cobra que o governo recorra ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM), instrumento de socorro a nações em dificuldade na eurozona mediante empréstimos com juros subsidiados.

Além disso, o IV é crítico da renda básica de cidadania, espécie de "Bolsa Família" da Itália - o programa é a principal bandeira do Movimento 5 Estrelas, que ainda é contra a utilização do ESM.

Pandemia

"Uma crise de governo é inexplicável. Não apenas porque estamos bem no meio de uma pandemia, mas também porque este é o ano em que a Itália preside o G20 e recebe a conferência global de saúde", disse o ministro das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, expoente do M5S.

Já o líder político do movimento, Vito Crimi, afirmou que uma renúncia das ministras do IV seria uma "traição aos italianos no momento mais difícil".

Ainda no início de sua campanha de vacinação, o país enfrenta um momento delicado na pandemia, com crescimento nas médias de casos e óbitos e uma das maiores taxas de mortalidade por Covid-19 em todo o mundo.

"O PD continua pedindo um recomeço para o governo, mas o reforçando, e não o fazendo cair", declarou o líder do PD e governador do Lazio, Nicola Zingaretti.

Já Renzi, em sua newsletter semanal, rebateu as acusações de que seria irresponsável por querer derrubar um governo em plena pandemia. "Irresponsável seria desperdiçar centenas de bilhões de euros dos nossos filhos fazendo dívida ruim e não investindo em saúde, educação e inovação", escreveu.

Opções

Se as ministras do Itália Viva renunciarem, Giuseppe Conte terá dois caminhos: entregar o cargo ao presidente Sergio Mattarella, que abriria negociações para encontrar uma nova maioria, ou ir direto ao Parlamento para pedir o voto de confiança de deputados e senadores.

Na segunda hipótese, o primeiro-ministro teria de contar com o apoio de parlamentares do IV descontentes com a direção de Renzi ou da oposição conservadora desejosos de evitar uma crise política. No entanto, como o M5S já governou em aliança com a Liga, de extrema direita, praticamente não restam outras possibilidades de coalizão na atual legislatura.

Primeiro-ministro entre fevereiro de 2014 e dezembro de 2016, Renzi teve uma ascensão meteórica na política italiana, mas renunciou à chefia do governo após a vitória do "não" em um referendo para esvaziar os poderes do Senado.

O então premiê havia prometido até deixar a política em caso de derrota, mas se elegeu senador no pleito legislativo de março de 2018 e, no ano seguinte, rompeu com o PD para fundar o Itália Viva.

O partido, no entanto, aparece nas pesquisas de intenção de voto abaixo da cláusula de barreira de 3% para entrar no Parlamento. No caso de eventuais eleições antecipadas, não é certo que o IV conseguiria manter seus assentos na Câmara (30) e no Senado (17).   

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