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Itália ordena desmonte de projeto modelo de acolhimento

Decisão chega após prisão do prefeito de Riace, Mimmo Lucano

13 out 2018
15h11
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O Ministério do Interior da Itália, chefiado por Matteo Salvini, ordenou a transferência de todos os migrantes que vivem nos centros de acolhimento de Riace, cidade da Calábria que se tornou modelo de integração de estrangeiros.

Manifestação de solidariedade em Milão ao prefeito de Riace, Mimmo Lucano
Manifestação de solidariedade em Milão ao prefeito de Riace, Mimmo Lucano
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em uma circular, a pasta também cobrou da Prefeitura a comprovação de todas as despesas com acolhimento e bloqueou alguns pagamentos devido a supostas "anomalias" na documentação enviada pela gestão municipal. Riace ainda não recebeu recursos do Ministério do Interior em 2018.

No início de outubro, o prefeito da cidade, Domenico "Mimmo" Lucano, foi colocado em regime de prisão domiciliar, por suspeita de ter facilitado casamentos forjados para garantir a permanência no país de migrantes em situação irregular.

Atualmente, devido ao bloqueio de recursos, Riace arrisca ficar sem dinheiro para seus projetos de acolhimento, que fizeram renascer a economia local. Parte dos fundos enviados por Roma era repassada a cooperativas para financiar projetos de capacitação profissional e uma espécie de "bolsa trabalho" a aprendizes.

O Ministério Público chegou a investigar Lucano por suspeita de irregularidades na gestão dos recursos para acolhimento, mas a Justiça não encontrou "hipóteses delituosas" referentes a esse aspecto do inquérito, apesar de ter citado a falta de "transparência" da Prefeitura.

"Querem apenas nos destruir, mas nossos advogados já estão entrando com um recurso contra a decisão do Ministério do Interior", declarou Lucano.

Perfil

Riace é uma cidade de 2,3 mil habitantes situada na região da Calábria, o "bico da bota" que representa o mapa italiano. Ela é governada desde 2004 por Domenico Lucano, ativista conhecido internacionalmente por ajudar migrantes e refugiados.

Seu empenho em defesa do acolhimento o fez entrar, em 2016, na lista dos 50 maiores "líderes" do mundo da revista "Fortune". Em seus mandatos, ofereceu casas abandonadas - em um vilarejo que sofre com o esvaziamento demográfico - e treinamento profissional a migrantes, ajudando a recuperar a economia local.

Uma das iniciativas promovidas por Lucano é uma moeda voltada exclusivamente a migrantes. O projeto surgiu alguns anos atrás e prevê a emissão de bônus pela Prefeitura para que estrangeiros comprem itens de primeira necessidade em lojas conveniadas. Nas cédulas, o prefeito mandou estampar ícones como Che Guevara e Martin Luther King.

Ansa - Brasil   
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