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Hong Kong adia eleição em um ano após vetar candidatos opositores

31 jul 2020
09h59
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A líder de Hong Kong, Carrie Lam, adiou em um ano nesta sexta-feira uma eleição legislativa marcada para 6 de setembro por causa de um aumento de casos do novo coronavírus, um golpe para a oposição pró-democracia, que esperava obter ganhos na votação.

Executiva-chefe de Hong Kong, Carrie Lam, durante entrevista coletiva
13/07/2020 REUTERS/Tyrone Siu
Executiva-chefe de Hong Kong, Carrie Lam, durante entrevista coletiva 13/07/2020 REUTERS/Tyrone Siu
Foto: Reuters

A oposição visava capitalizar uma onda de ressentimento com uma nova lei segurança nacional que a China impôs à cidade em 30 de junho para obter uma maioria no Conselho Legislativo, onde metade dos assentos são eleitos diretamente e a outra metade é preenchida principalmente por indicados da China.

O adiamento vem depois de 12 candidatos pró-democracia serem desqualificados e impedidos de concorrer na eleição por razões como supostas intenções subversivas, repúdio à nova lei de segurança e uma campanha para obter uma maioria para impedir a aprovação de leis.

Lam, que disse que a eleição acontecerá em 5 de setembro do ano que vem, disse aos repórteres que a decisão foi a mais difícil que tomou em sete meses e que visa salvaguardar a saúde das pessoas.

"Temos 3 milhões de eleitores saindo em um dia por toda Hong Kong, tal fluxo de pessoas provocaria um alto risco de infecção", argumentou.

Apoiada por Pequim, Lam disse que teve que invocar uma lei de emergência para realizar o adiamento e que a decisão não envolveu nenhuma consideração política. O Parlamento chinês decidirá como preencher o vácuo legislativo causado pelo adiamento.

Teria se tratado da primeira votação oficial da ex-colônia britânica desde que a China impôs a lei de segurança para combater o que define amplamente como secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras, puníveis até com prisão perpétua.

Hong Kong voltou ao controle chinês em 1997 com uma garantia de autonomia, mas críticos dizem que a nova lei mina o alto grau de autonomia da cidade e a coloca em um caminho mais autoritário.

Os governos chinês e de Hong Kong dizem que a legislação não minará as liberdades e que ela é necessária para preservar a ordem e a prosperidade após os meses de protestos antigoverno muitas vezes violentos do ano passado.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbing, disse mais cedo que o surto de coronavírus de Hong Kong é um fator na eleição local, que por sua vez é um assunto interno da China.

A notícia do adiamento coincidiu com o final do período de registro de candidaturas para a eleição.

Entre os 12 candidatos opositores desqualificados está Joshua Wong, que conquistou fama liderando protestos em Hong Kong em 2012 e 2014, quando ainda era um adolescente.

"Impedir-me de concorrer... não deteria nossa causa pela democracia", disse Wong, hoje com 23 anos.

Ao menos 68 países e territórios adiaram eleições nacionais ou regionais por causa do coronavírus desde fevereiro, disse o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral.

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