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Grupo ruandês nega participação em morte de embaixador italiano

23 fev 2021
08h05
atualizado às 08h20
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As Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR) negaram envolvimento no ataque que matou três pessoas na República Democrática do Congo na última segunda-feira (22), incluindo o embaixador da Itália no país africano, Luca Attanasio.

Soldados do Congo e da ONU no local de ataque contra embaixador italiano
Soldados do Congo e da ONU no local de ataque contra embaixador italiano
Foto: EPA / Ansa - Brasil

A ação foi realizada em uma estrada entre as cidades de Goma e Bukavu, perto da fronteira ruandesa, e também vitimou o policial militar italiano Vittorio Iacovacci e o motorista congolês Mustapha Milambo.

Em comunicado citado pelo site local Actualité, as FDLR afirmam que seus combatentes não participaram do ataque e pedem que as autoridades do Congo e a missão da ONU no país (Monusco) descubram os responsáveis por "esse assassinato desprezível, ao invés de recorrer a acusações precipitadas".

Além disso, o grupo rebelde afirma que o ataque ocorreu "não longe" de destacamentos dos exércitos da RDC e de Ruanda. "Os responsáveis por esse assassinato ignóbil devem ser procurados nas fileiras desses dois exércitos e de seus patrocinadores, que formaram uma aliança para perpetuar o saque no leste da RDC", dizem as FDLR.

O grupo foi formado por exilados da etnia hutu no Congo no início dos anos 2000. Entre seus integrantes estão membros das antigas milícias que conduziram o genocídio tutsi em Ruanda, em 1994, quando entre 800 mil e 1 milhão de pessoas foram massacradas em apenas três meses.

As FDLR são acusadas de perpetrar diversos ataques no leste do Congo, incluindo um que matou 12 guardas do Parque Nacional Virunga, local do atentado contra o embaixador italiano, em abril do ano passado.

Seu objetivo é derrubar o governo do presidente de Ruanda, Paul Kagame, um dos líderes da guerrilha tutsi que derrotou os genocidas e que está formalmente no poder desde 2000.

Divergências

O grupo ruandês havia sido acusado diretamente na última segunda-feira pelo Ministério do Interior da RDC, que disse também que outras três pessoas foram raptadas.

Já nesta terça (23), o gabinete do presidente Félix Tshisekedi emitiu um comunicado afirmando que Attanasio, Iacovacci e Milambo foram assassinados por "sequestradores". Os três faziam parte de um comboio do Programa Mundial de Alimentos da ONU - vencedor do Nobel da Paz em 2020 - que visitaria um projeto de distribuição de comida em escolas.

O motorista congolês foi morto na hora, mas os dois italianos teriam sido levados para a floresta pelos agressores.

"Alertadas, as Forças Armadas saíram atrás do inimigo. A 500 metros, os sequestradores atiraram no policial, que morreu no local, e no embaixador, ferido no abdômen", diz o comunicado da Presidência do Congo.

O diplomata italiano faleceu uma hora depois, no hospital da Monusco em Goma.

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