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Grupo denuncia "cultura do medo" sobre operários da Tóquio 2020

17 mai 2019
14h32
atualizado às 18h02
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Operários estão vivendo em uma "cultura do medo" e trabalham muitas horas sob condições arriscadas na construção dos locais de competição de Olimpíada de Tóquio de 2020, segundo relatório de uma organização internacional.

Construção da Vila Olímpica para os Jogos de 2020, em Tóquio 
27/09/2018
REUTERS/Toru Hanai
Construção da Vila Olímpica para os Jogos de 2020, em Tóquio 27/09/2018 REUTERS/Toru Hanai
Foto: Reuters

O relatório da Building and Wood Workers' International (BWI), que se baseia em entrevistas da entidade com operários, diz que eles lidam com condições de trabalho perigosas, longas horas de trabalho e um sistema de queixas inadequado.

A BWI também observou que dois operários envolvidos na Tóquio 2020 morreram.

"A Olimpíada de Verão de Tóquio de 2020 era uma oportunidade para o Japão sanar algumas lacunas antigas na indústria da construção no Japão; porém estes problemas só pioraram", disse Ambet Yuson, secretário-geral da BWI, no relatório.

Em 2017, os pais de um operário de 23 anos do Estádio Nacional pediram ao governo que reconheça seu suicídio como "karoshi", ou morte por excesso de trabalho, e a mídia disse que ele fez 200 horas extras um mês antes de morrer.

Um escritório de padrões trabalhistas acabou reconhecendo que sua morte teve relação com o trabalho.

O relatório da BWI, divulgado publicamente na quarta-feira, diz que a falta de mão de obra do Japão coloca pressão imensa nos operários.

Operários das vilas olímpica e paralímpica relataram trabalhar 28 dias seguidos, e aqueles que trabalham no Estádio Nacional relataram trabalhar 26 dias consecutivos, segundo o documento.

O relatório foi encaminhado à Tóquio 2020, que organiza os Jogos, ao Governo Metropolitano de Tóquio e ao Conselho Esportivo Japonês (JSC), que administra o Estádio Nacional.

"O JSC vem pedindo esforços da construtora para garantir a segurança e a saúde dos operários e recebendo relatórios regularmente", disse um porta-voz do JSC por email nesta sexta-feira. "Porém, até o dia de hoje, não conseguimos identificar casos descritos no relatório do BWI ou outras violações da lei".

O governo metropolitano de Tóquio reconheceu nesta sexta-feira que recebeu o relatório, mas não respondeu de imediato a pedidos de comentário.

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