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Grécia e Turquia concordam em abrir 'linha direta' na Otan

Países estão em crise por conta da exploração de combustíveis

1 out 2020
13h59
atualizado às 14h20
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A Grécia e a Turquia concordaram em estabelecer uma linha direta de conversas para evitar o risco de incidentes e tentar resolver a atual crise entre as duas nações por conta da exploração de combustíveis fósseis na parte oriental do Mar Mediterrâneo, anunciou o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, nesta quinta-feira (1º).

Turquia irritou gregos ao enviar navio de exploração em águas territoriais do país no Mediterrâneo
Turquia irritou gregos ao enviar navio de exploração em águas territoriais do país no Mediterrâneo
Foto: EPA / Ansa - Brasil

Segundo uma curta nota de Stoltenberg, o acordo será realizado no nível militar e está "projetado para reduzir os riscos de incidentes no Mediterrâneo Oriental", podendo "ajudar a criar um espaço para que os esforços diplomáticos para enfrentar as controvérsias entre os dois países".

Pouco antes do anúncio da Otan, da qual as duas nações fazem parte, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, falou sobre o assunto durante a sessão de abertura do Parlamento em Ancara e disse que seu governo "apoia uma resolução com bases justas na disputa do Mediterrâneo oriental pela via política e econômica".

Erdogan, que há anos tenta entrar na União Europeia, fez críticas aos europeus no discurso dizendo que "nenhum problema regional foi resolvido por iniciativa da UE" porque o bloco é "prisioneiro dos gregos e dos cipriotas gregos".

As críticas foram feitos no dia em que o Conselho Europeu pautou a crise na região.

"Nós queremos mais estabilidade e previsibilidade. Somos solidários com a Grécia e Chipre. Na mesa, estão várias opções e hoje será a ocasião para dizer que tipo de relação a União Europeia quer ter com essa parte do mundo", ressaltou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, ao chegar no encontro.

- Crise no mar: A crise no Mediterrâneo voltou a ficar intensa a partir de julho deste ano, quando Ancara enviou um navio de estudos de exploração para uma área próxima à ilha grega de Kastelorizo.

A ação irritou Atenas, que enviou uma reclamação formal e navios militares para a região. Após a intervenção da chanceler alemã, Angela Merkel, Erdogan aceitou retirar o navio da região.

Porém, em 6 de agosto, a Grécia anunciou um acordo para definição de fronteiras marítimas e a criação de uma área exclusiva de exploração de petróleo e gás com o Egito, em ato que irritou Ancara. Novamente, Erdogan enviou navios para a mesma região.

Para a Turquia, esse acordo Atenas-Cairo não é legítimo porque invade águas territoriais da Líbia, com quem Erdogan fechou um acordo de exploração no fim de 2019. Contudo, nenhuma entidade internacional ou governo nacional reconheceu o acordo, por considerarem que ele invade águas territoriais gregas.

Há pouco mais de uma semana, no dia 22 de setembro, Erdogan já havia dado um sinal de abertura após uma reunião virtual com Merkel e Michel. Naquele dia, o presidente afirmou que estava "disposto" a conversar sobre crise. .
   

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