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França convoca embaixadores nos EUA e na Austrália após acordo

Medida é tomada em reação à aliança EUA-GB-Austrália

17 set 2021 19h29
| atualizado às 19h41
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O governo da França anunciou nesta sexta-feira (17) que convocará os embaixadores franceses nos Estados Unidos e na Austrália para que prestem esclarecimentos sobre o acordo militar Aukus, devido à "gravidade excepcional".

Medida foi tomada a pedido do presidente francês, Emmanuel Macron
Medida foi tomada a pedido do presidente francês, Emmanuel Macron
Foto: EPA / Ansa - Brasil

A decisão foi tomada após os Estados Unidos, Reino Unido e Austrália anunciarem uma nova aliança para fortalecer as capacidades navais na região do Pacífico e que permitirá que a Austrália tenha submarinos de propulsão nuclear.

O anúncio da parceria estratégica levou o governo australiano a cancelar um grande acordo de compra de submarinos da França.

Em nota, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, disse que a decisão foi tomada pelo presidente Emmanuel Macron diante da "seriedade dos acontecimentos".

"A pedido do Presidente da República, decidi chamar imediatamente os nossos dois embaixadores nos Estados Unidos e na Austrália de volta a Paris para consultas. Esta decisão é justificada pela gravidade excepcional dos anúncios feitos em 15 de setembro pela Austrália e os Estados Unidos", disse o ministro em nota.

A medida é considerada mais uma resposta de Paris a parceria militar. Ontem (16), Le Drian já havia dito que o acordo foi "uma facada nas costas" dada pelo governo americano e ainda comparou Joe Biden ao seu antecessor, Donald Trump.

Além disso, a França cancelou um evento de gala que estava programado para ser realizado na embaixada dos EUA em Paris, em celebração aos 240 anos de uma das batalhas da Guerra de Independência dos EUA.

A raiva do ministro é porque ele foi o líder das negociações que, em 2016, fechou o "contrato do século" entre a França e a Austrália: por 56 bilhões de euros, seriam produzidos 12 submarinos convencionais (não nucleares) pelo Naval Group. À época, Le Drian era o ministro da Defesa. Para Biden, o acordo é uma forma de reforçar as alianças dos EUA e atualizar as prioridades estratégicas, já que a Austrália está perto da China.

Hoje, inclusive, o presidente chinês, XI Jinping, se manifestou pela primeira vez desde o anúncio da aliança e ressaltou que o país "nunca permitirá" que "forças externas" façam interferências.

Ansa - Brasil   
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