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Especialista diz que China procura espiões no LinkedIn

Inteligência chinesa estaria tentando contato pelo site com pessoas próximas do governo americano e de segredos comerciais

31 ago 2018
10h12
atualizado às 11h56
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O principal especialista dos Estados Unidos em descobrir espiões disse que agências de espionagem da China estão usando contas falsas do LinkedIn para tentar recrutar norte-americanos com acesso ao governo e a segredos comerciais, e que a empresa deveria expulsá-las.

William Evanina, chefe de contrainteligência dos EUA, disse à Reuters em uma entrevista que as autoridades de inteligência e segurança informaram o LinkedIn, de propriedade de Microsoft, a respeito dos esforços chineses "super agressivos" no site.

Ele disse que a campanha chinesa inclui contatar milhares de membros do LinkedIn por vez, mas não quis dizer quantas contas falsas a inteligência dos EUA descobriu, quantos norte-americanos foram contatados e quanto sucesso a China teve na iniciativa de recrutamento.

Chefe de contrainteligência dos EUA, William Evanina, em entrevista à Reuters
Chefe de contrainteligência dos EUA, William Evanina, em entrevista à Reuters
Foto: Joshua Roberts / Reuters

Autoridades alemãs e britânicas já alertaram seus cidadãos que Pequim está usando o LinkedIn para tentar recrutá-los como espiões, mas essa é a primeira vez que uma autoridade dos EUA fala publicamente do desafio enfrentado em seu país, e indica que o problema é maior do que se sabia antes.

Evanina disse que o LinkedIn deveria cogitar copiar a reação de Twitter, Google e Facebook, que fecharam contas falsas supostamente ligadas a agências de inteligência iranianas e russas.

"Recentemente vi que o Twitter está cancelando, sei lá, milhões de contas falsas, e nosso pedido seria que talvez o LinkedIn poderia ir adiante e ser parte disso", disse Evanina, que comanda o Centro Nacional de Contrainteligência e Segurança dos EUA.

É extremamente incomum uma autoridade de inteligência dos EUA identificar uma empresa norte-americana pelo nome e recomendar publicamente que ela adote ações. O LinkedIn afirma ter 562 milhões de usuários em mais de 200 países e territórios, sendo 149 milhões nos EUA.

Mas Evanina não disse se está frustrado com a reação do LinkedIn ou se acredita que o site fez o suficiente.

O chefe de confiança e segurança do LinkedIn, Paul Rockwell, confirmou que a companhia vem conversando com agências de aplicação da lei dos EUA a respeito dos esforços de espionagem da China. No início deste mês o site disse ter removido "menos de 40" contas falsas cujos usuários estavam tentando contatar membros do LinkedIn associados a organizações políticas não identificadas. Rockwell não disse se eram contas chinesas.

O Ministério de Relações Exteriores da China questionou as alegações de Evanina.

"Não sabemos que provas as autoridades relevantes dos EUA que você cita têm para chegarem a esta conclusão. O que eles dizem é um nonsense completo e tem segundas intenções".

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