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Serviço secreto alemão é acusado de cooperar com a NSA

Mídia alemã aponta ligações entre agências alemãs e programa de espionagem dos EUA. Segundo reportagem, Departamento Federal de Proteção à Constituição e Serviço Federal de Informações colaborariam com sistema Prism

21 jul 2013
13h34
atualizado às 13h40
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O Departamento Federal de Proteção à Constituição (BfV, na sigla original) confirmou que a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos disponibilizou ao órgão alemão um software de espionagem. Segundo afirmou Hans-Georg Maassen, presidente do BfV, em entrevista ao jornal Bild am Sonntag, o programa disponibilizado pelos EUA foi até agora somente testado na Alemanha, não tendo sido ainda utilizado.

Edward Snowden e a espionagem da NSA

Maassen acentuou, ao mesmo tempo, que, "em sua cooperação com a NSA, o BfV respeita à risca as diretrizes legais". Especulações de que o BfV, serviço secreto alemão de atuação interna, "recolhe dados usando o software disponibilizado pela NSA e repassa aos EUA ou recebe do país dados" foram rejeitadas por Maassen.

Segundo ele, a cooperação com os serviços secretos norte-americanos contribuem sensivelmente para evitar ataques terroristas na Alemanha. Maassen deu estas declarações em resposta a uma reportagem do semanário Der Spiegel, segundo a qual o software da NSA não é usado apenas pelo BfV, mas também pelo Serviço Federal de Informações (BND, na sigla original), órgão de inteligência alemão com atribuições internacionais.

Repasse "não acontece"
O presidente do BND, Gerhard Schindler, deu, a princípio, declarações pouco concretas a respeito do assunto. Ao jornal Bild am Sonntag, ele afirmou simplesmente: "Um repasse mensal de milhões de dados da Alemanha para a NSA através do BND é algo que não acontece", acrescentando que no último ano, apenas dois dossiês com dados de cidadãos alemães foram encaminhados para a NSA. "Falei recentemente sobre a cooperação com a NSA diante do grêmio parlamentar de controle", completou Schindler.

O semanário Der Spiegel se refere em sua reportagem a documentos da NSA, dos quais consta que o software de espionagem de nome "Xkeyscorewerde" registra grande parte dos dados alemães aos quais a NSA tem acesso. O programa pode, de acordo com a revista, tornar visíveis os verbetes inseridos nas máquinas de busca na internet por pessoas que estão sendo espionadas. E pelo menos parte dos conteúdos de comunicação pode ser também espionada.

De acordo com a reportagem, a cooperação entre os serviços secretos alemães e a NSA se tornou mais intensa nos últimos tempos. E dos documentos norte-americanos constariam referências a um certo "entusiasmo" do presidente do BND. "O BND tentou influenciar o governo alemão de forma a afrouxar as leis de proteção de dados a longo prazo, a fim de criar mais possibilidades para a troca de informações entre os serviços secretos", teriam anotado funcionários da NSA em janeiro. De acordo com a revista Der Spiegel, uma delegação de 12 pessoas do alto escalão do BND visitou a NSA em fins de abril, tendo se reunido com diversos especialistas em coleta de dados.

Poucas semanas depois, o ex-funcionário do serviço secreto norte-americano, Edward Snowden, revelou o programa de espionagem Prism, através do qual, segundo ele, é recolhido um grande volume de dados provenientes, inclusive, da Alemanha. O governo alemão insiste em afirmar que não foi informado a respeito do programa.

Revista diz que governo já sabia desde 1992
A revista Focus publicou informações de que o Ministério do Interior da Alemanha já sabe há mais de 20 anos que a NSA espiona grande parte do território alemão. Em julho de 1992, o ministério teria confiscado documentos altamente secretos das autoridades da Stasi, a polícia política da ex-Alemanha Oriental, segundo a revista.

Mais de 13 mil documentos originais da NSA revelariam, entre outras coisas, que o serviço secreto norte-americano espionou nos anos 1970 o governo alemão e empresas do país, entre elas a Siemens. Dos dossiês, constam ainda descrições detalhadas de um sistema altamente eficiente de escuta telefônica.

Glenn Greenwald, jornalista e pessoa de contato com Snowden, anunciou que fará novas revelações. Segundo Greenwald, Snowden entregou a ele e a um jornalista da Spiegel cerca de 10 mil documentos altamente confidenciais. De acordo com Greenwald, o governo alemão não participa do sistema de espionagem de forma tão ativa quanto o Reino Unido e os EUA, mas ainda assim de maneira intensa.

info infográfico espionagem snowden eua nsa
info infográfico espionagem snowden eua nsa
Foto: AFP

Espionagem americana no Brasil
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho denunciou que brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês), que virou alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance da espionagem da inteligência do governo dos EUA.

Ainda segundo o jornal, uma das estações de espionagem utilizadas por agentes da NSA, em parceria com a Agência Central de Inteligência (CIA) funcionou em Brasília, pelo menos até 2002. Outros documentos apontam que escritórios da Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência.

Logo após a denúncia, a diplomacia brasileira cobrou explicações do governo americano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o País reagiu com “preocupação” ao caso.

O embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon negou que o governo americano colete dados em território brasileiro e afirmou também que não houve a cooperação de empresas brasileiras com o serviço secreto americano.

Por conta do caso, o governo brasileiro determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) verifique se empresas de telecomunicações sediadas no País violaram o sigilo de dados e de comunicação telefônica. A Polícia Federal também instaurou inquérito para apurar as informações sobre o caso.

Ex-CIA abandonou dançarina de pole dance para denunciar governo dos EUA

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