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Rússia é contra intervenção estrangeira na Líbia

7 mar 2011
14h40
atualizado às 15h17
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A Rússia é contra qualquer ingerência militar estrangeira na Líbia, anunciou nesta segunda-feira o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, indo contra os crescentes chamados de Washington para apoiar militarmente os rebeldes opostos ao regime de Muammar Kadafi.

info infográfico líbia infromações sobre o país
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Foto: AFP

"Não consideramos a ingerência estrangeira, em especial militar, como um meio para resolver a crise na Líbia. Os líbios devem resolver seus problemas", declarou Lavrov, citado pelas agências russas.

Nos Estados Unidos, a pressão aumentou para que o governo do presidente Barack Obama forneça ajuda militar aos insurgentes e neutralize a aviação de Kadafi, seja com uma zona de exclusão aérea ou a destruição das pistas.

Obama advertiu nesta segunda-feira aos assessores do líder libio Muammar Kadafi que deverão responder pela violência em seu país.

Obama igualmente afirmou que a Otan deve se reunir em Bruxelas para discutir uma reação à violência na Líbia, e indicou ter dado sua autorização a uma ajuda extra de US$ 15 milhões para as operações humanitárias ligadas à crise.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido. Muitas dezenas de milhares já deixaram o país.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte. Desde então, as aparições televisivas do líder líbio têm sido frequentes, variando de mensagens em que fala do amor da população até discursos em que promete vazar os olhos da oposição.

Não apenas o clamor das ruas, mas também a pressão política cresce contra o coronel. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade. Mais recentemente, o Tribunal Penal Internacional iniciou investigações sobre as ações de Kadafi, contra quem também a Interpol emitiu um alerta internacional.

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