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Obama cancela cúpula com Putin por falta de avanço em relação bilateral

7 ago 2013
18h28
atualizado às 18h39

O presidente americano, Barack Obama, cancelou uma reunião de cúpula com seu colega russo Vladimir Putin prevista para o início de setembro, em Moscou, devido à falta de avanços na relação bilateral, anunciou a Casa Branca nesta quarta-feira.

O Kremlin declarou-se decepcionado com a decisão.

O encontro havia sido colocado em dúvida pela Casa Branca diante das crescentes tensões entre Washington e Moscou, depois que as autoridades russas concederam asilo temporário ao ex-técnico da inteligência americana Edward Snowden. O consultor revelou a existência de um amplo programa de vigilância eletrônica por parte dos EUA.

"Após cuidadosa consideração (...) chegamos à conclusão de que as relações bilaterais com a Rússia não experimentaram suficientes progressos recentes para que uma cúpula fosse realizada no início de setembro", declarou um porta-voz da Casa Branca.

"Nós concedemos uma grande importância aos progressos efetuados com a Rússia (...) como o novo tratado Start e a cooperação sobre Afeganistão, Irã e Coreia do Norte", explicou o porta-voz Jay Carney.

"No entanto, diante da falta de avanço em temas como defesa antimísseis, proliferação, comércio, assuntos de segurança e de direitos humanos nos últimos 12 meses, informamos ao governo russo que pensamos que seria mais construtivo adiar a cúpula até que tenhamos mais resultados", acrescentou.

Carney também admitiu o impacto do asilo concedido a Snowden. "A decisão decepcionante por parte da Rússia de conceder asilo temporário a Edward Snowden também foi algo que levamos em conta para avaliar o estado das nossas relações", disse o porta-voz.

Na terça à noite, o presidente Barack Obama disse que estava decepcionado com a decisão da Rússia de conceder asilo a Snowden e afirmou que, nas relações entre os dois países, "ocorreram momentos nos quais voltamos à maneira de pensar da Guerra Fria e à mentalidade da Guerra Fria".

Obama mantém em sua agenda, no entanto, a presença na cúpula do G-20 marcada para o início de setembro em São Petersburgo, que estará precedida por uma visita oficial à Suécia, segundo a Casa Branca.

Snowden, que esteve bloqueado no aeroporto de Moscou por mais de um mês, depois que os Estados Unidos revogaram seu passaporte, obteve na semana passada asilo temporário por um ano na Rússia.

O ex-consultor dos serviços de inteligência é acusado em seu país de espionagem depois de ter revelado à imprensa a existência de um vasto programa de vigilância das telecomunicações e da Internet.

A decisão americana de cancelar o encontro foi recebida com decepção pelo governo russo.

"Estamos desapontados", disse Yuri Ushakov, alto conselheiro para política externa de Vladimir Putin, acrescentando que está claro para Moscou que a decisão está relacionada a Edward Snowden.

Ushakov acrescentou que esta situação demonstrou que os Estados Unidos ainda não estão prontos para uma relação "numa base de igualdade" com a Rússia, mas destacou que o convite para a visita de Obama continua de pé.

A expressão "os últimos 12 meses" parece questionar diretamente as relações bilaterais desde que Vladimir Putin tomou posse, em maio de 2012. Desde então, EUA e Rússia vêm mostrando notáveis diferenças em inúmeras questões, especialmente no que diz respeito ao conflito na Síria.

Para Steven Pifer, especialista em Rússia na Brookings Institution, de Washington, o cancelamento de uma cúpula de alto nível é uma decisão incomum. Nesse caso, não surpreende, porém, se forem levadas em conta as persistentes divergências entre os dois governos, nas quais até o assunto Snowden é um "elemento menor".

Os americanos "não viam com interesse a realização de uma cúpula que não estava destinada a avançar nos assuntos mais importantes", explicou Pifer à AFP.

Esse cancelamento representa "uma séria turbulência, mas o fato de que o governo (americano) mantenha na agenda o encontro ministerial mostra, na minha opinião, que os dois países estão dispostos à colaboração, no que for possível", acrescentou o especialista.

O secretário de Estado, John Kerry, e o da Defesa, Chuck Hagel, vão se reunir nesta sexta, em Washington, com seus homólogos russos "para discutir qual é a melhor forma de avançar em uma série de temas da nossa relação bilateral", informou a Casa Branca.

Já a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, disse que Afeganistão, Síria, Irã, Coreia do Norte, defesa antimísseis e direitos humanos estarão na agenda 2+2.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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