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Jovem perde passaporte e vira suspeito de participar de atentados em Paris

16 nov 2015
06h11
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O jovem Walid Abdelrazaq, de 27 anos e que estava em Paris na sexta-feira, tornou-se durante algumas horas um dos suspeitos dos ataques terroristas na capital francesa, porque seu passaporte egípcio foi encontrado perto do Stade de France, onde ficou ferido em um dos atentados jihadistas.

"Meu filho foi (ao estádio) para ver a partida (amistoso de futebol entre França e Alemanha). Por que passou por isso?", questionou Nadia Karam, de 60 anos e mãe de Walid.

Aos prantos, Nadia contou à Agência Efe que "o islã é a religião da paz e do bem" e que seu filho está internado e foi operado três vezes devido aos ferimentos sofridos no atentado na cidade de Saint-Denis, onde terroristas detonaram coletes com explosivos do lado de fora do estádio.

Na noite de sexta-feira, pelo menos sete integrantes do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) atacaram sete pontos da capital francesa, deixando 129 mortos e 352 feridos.

Horas depois do massacre, foram encontrados os passaportes de um cidadão sírio e outro egípcio - o de Walid Abdelrazaq - e que podiam pertencer aos criminosos.

Ontem, o embaixador do Egito em Paris, Ihab Badawi, desmentiu à rede de televisão egípcia "CBC" estas informações e ressaltou que "não há nenhuma acusação contra Abdelrazaq".

Segundo a mãe de Walid, o jovem chegou à França no dia 6 de novembro com ela para acompanhar seu irmão Wael, que sofre de leucemia e recebe tratamento em um hospital parisiense. Na sexta, ele decidiu ir ao amistoso entre França e Alemanha, mas chegou atrasado e se surpreendeu com uma explosão.

Após tomar conhecimento do ocorrido, sua família saiu para procurá-lo e ficou várias horas sem ter notícias dele. Por fim, as forças de segurança francesas indicaram seu paradeiro: o encontraram em um hospital em Paris "em um estado muito crítico".

Mas isso só aconteceu depois que a imprensa francesa informou que tinham sido achados os passaportes de um cidadão sírio e de outro egípcio no local do massacre, o que transformou Walid em suspeito por algumas horas.

"Não sei por que disseram isso do meu filho, quando está na unidade de terapia intensiva entre a vida e a morte", acrescentou Nadia, com voz embargada.

Entre longas pausas, ela explicou que seu filho foi submetido a três cirurgias por ter sido atingido por estilhaços como consequência da explosão.

"Espero que meu filho possa se recuperar rápido. Não visitamos a França para fazer turismo, foi só para o tratamento do meu outro filho", disse a mãe de Walid, que também mostrou seu desejo de que os muçulmanos não sofram discriminação pelo ocorrido em Paris.

EFE   
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