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Incêndio em hospital psiquiátrico na Rússia mata 37 pessoas

13 set 2013 11h10
| atualizado às 11h22
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Um incêndio em um hospital psiquiátrico no noroeste da Rússia deixou 37 mortos na madrugada desta sexta-feira, cinco meses após um drama parecido ocorrido na região de Moscou.

O cenário era desolador, segundo uma jornalista da AFP. O hospital foi reduzido a ruínas, enquanto as ruas e telhados ao redor ficaram cobertos por uma espessa camada de poeira e cinzas.

Apenas o porão e as chaminés dos fogões à lenha permaneceram em pé em meio aos escombros, que continuam a ser revistados pelos socorristas à procura de restos humanos.

"Até o momento, retiramos dos escombros os corpos de 10 pessoas, de um total de 37 mortos", afirma um comunicado do gabinete local do comitê de investigação para a região de Novgorod.

As equipes de resgate cobrem os corpos com um plástico preto à medida que os encontram.

O balanço de mortos anterior fazia relato de dois mortos e 35 desaparecidos neste estabelecimento localizado cerca de 220 km a sudeste de São Petersburgo, na aldeia de Luka.

De acordo com várias fontes, cerca de sessenta pessoas estavam no prédio, incluindo funcionários. Vinte conseguiram sair do edifício a tempo.

O prédio abrigava pacientes do sexo masculino, a maioria com doenças graves o que pode ter dificultado a sua saída, declarou o governador regional Sergei Mitin.

"Havia três funcionários durante a noite mais os pacientes: uma enfermeira, uma auxiliar de enfermagem, e o guarda, Alexei", indicou à AFP uma vizinha do prédio, Natalia.

"A auxiliar, Yulia, morreu tentando salvar pacientes. Ela tinha 40 anos e deixa quatro filhos", acrescentou.

O incêndio começou pouco antes das 3H00 e em poucos minutos destruiu um dos nove edifícios do centro psiquiátrico.

A esposa do guarda que estava no prédio contou ter visto "fumaça e, em seguida, o fogo se espalhou muito rapidamente. Com a enfermeira, eles começaram a acordar os doentes. Eles conseguiram levar 14 para fora, muitos foram empurrados pela janela, alguns não queriam ir para fora, foi terrível, contou o meu marido".

"Rapidamente ninguém mais podia entrar no edifício. Os bombeiros chegaram logo, mas tudo já estava sendo consumido pelo fogo", disse a mulher, Lidia Vassilieva.

"O prédio era muito antigo, tinha 200 anos", observou a vizinha Natalia.

"Havia pacientes incendiários, eles foram surpreendidos por diversas vezes", acrescentou.

O diretor da instituição, Goussein Magomedov, estimou por sua vez que, provavelmente, um paciente botou fogo no local.

Mas o comitê de investigação, o principal órgão de investigação criminal na Rússia, abriu um inquérito judicial por homicídio imprudente e negligência.

Um funcionário do ministério de Situações de Emergência, de fato, afirmou que uma recente inspeção detectou a vulnerabilidade do edifício ao fogo, e ordenou mudanças que não foram feitas.

"Este edifício tinha uma resistência muito baixa ao fogo, era todo construído em madeira. Por ordem judicial, a administração deveria ter feito mudanças antes de 1º de agosto para corrigir inúmeras violações de segurança contra incêndio, mas isso não foi feito", disse o oficial, citado pela agência Interfax.

O diretor do hospital se defendeu das acusações: "Todas as mudanças foram feitas", disse à Interfax.

A Rússia tem um grande número de instalações em ruínas, muitas vezes construídas em madeira. Incêndios causaram muitas vítimas em hospitais psiquiátricos, abrigos e asilos nos últimos anos.

Em abril, um incêndio destruiu em circunstâncias semelhantes um hospital psiquiátrico na região de Moscou, causando 38 mortes.

O edifício em madeira datava de 1952 e tinha grades nas janelas.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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