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Serviço secreto alemão é acusado de fornecer dados para os EUA

Informações repassadas pelo governo alemão podem ter influenciado no assassinato de suspeitos no Afeganistão, Paquistão e Somália. Órgão diz que compartilhamento de dados com parceiros é legal

10 ago 2013
12h51
atualizado às 12h52
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A novela da cooperação entre os serviços secretos alemão e norte-americano parece estar longe da cena final. Em seu mais recente capítulo, detalhes da relação entre os dois revelam que, segundo a imprensa alemã, o presidente do Serviço Federal de Informações (BND, na sigla em alemão), Gerhard Schindler, teria autorizado o repasse de números de celulares de suspeitos à Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA.

Esses dados de telefonia celular podem ter sido utilizados em ataques com drones (veículos aéreos não tripulados), por exemplo, no Afeganistão, Paquistão ou Somália, visando o homicídio direcionado de suspeitos – segundo divulgaram na sexta-feira o jornal alemão Süddeutsche Zeitung e o canal de televisão NDR.

"Fora do âmbito de conflitos armados, assassinatos seletivos infringem o direito internacional", observou o deputado do Partido Social-Democrata (SPD) Thomas Oppermann. Ele exige que Berlim esclareça "se ocorreram operações mortais desse tipo com base dos dados do BND, desde o decreto do Ministério do Interior de 2010".

BND nega ação ilícita
Segundo a reportagem do Süddeutsche Zeitung, Schindler teria ordenado a entrega dos dados e passa por cima de seus colaboradores. O fato teria resultado numa acalorada contestação dentro do órgão de inteligência.

O presidente do BND, porém, classifica como "legal" a divulgação de números de telefones celulares a serviços secretos aliados. "Essa prática de compartilhamento de dados acontece no BND desde 2003, 2004", comunicou um porta-voz, ressalvando que Schindler não teria ordenado especificamente a cessão dos números de suspeitos.

Se por um lado, a prática de compartilhamento de dados não foi modificada durante a gestão de Schindler, por outro, números de celulares do sistema GSM não serviriam para buscar uma localização precisa, acrescentou o porta-voz do BND.

O GSM (Global System for Mobile Communications) é o padrão de telefonia celular mais difundido em todo o mundo. Paralelamente, já existem, na maior parte dos países, outros sistemas mais avançados, como o UMTS.

Gerhard Schindler dirige o Serviço Federal de Informações desde 2011. O órgão tem estado em evidência na mídia, por último sob a acusação de utilizar o sistema de vigilância informática da NSA, denominado XKeyscore, e de "mensalmente são transmitirs milhões de dados" da Alemanha para a agência norte-americana. O presidente do BND negou ambas as acusações, afirmando que em 2012 só foram cedidos à NSA os dados pessoais de dois cidadãos alemães.

info infográfico espionagem snowden eua nsa
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Foto: AFP
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