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Trump ignora pandemia e retoma campanha eleitoral

Campanha do presidente exige "isenção de responsabilidade" dos apoiadores caso sejam contaminados pelo coronavírus nos eventos

12 jun 2020
07h17
atualizado às 09h13
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Foto: DW / Deutsche Welle

As pessoas que comparecerem aos próximos eventos de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que concorre à reeleição, devem assinar um termo de isenção de responsabilidade, através do qual se comprometem a não entrarem na Justiça contra os organizadores caso sejam contaminados pelo novo coronavírus durante os comícios.

A informação apareceu nesta quinta-feira (11/06) no portal de internet da campanha de Trump. Na última quarta-feira, o presidente anunciou que iria retomar os eventos de campanha em quatro estados do país - Oklahoma, Florida, Arizona e Carolina do Norte - após meses de uma paralisação forçada pela pandemia de covid-19, que ainda continua a avançar no país.

A doença já matou mais de 113 mil pessoas nos EUA, que acumulam mais de 2 milhões de casos desde o início da pandemia. Após o relaxamento das medidas de prevenção em alguns estados, as infecções voltaram a aumentar na Flórida, Arizona e na Carolina do Norte, onde o presidente americano fará um de seus eventos de campanha. O primeiro comício de Trump após a paralisação será em Tulsa, no Oklahoma, no dia 19 de junho.

"Ao clicar no registro abaixo, você reconhece que o risco inerente de exposição à covid-19 existe em qualquer lugar público onde pessoas estejam presentes", afirma o portal da campanha republicana.

"Ao comparecer ao comício, você e seus convidados assumem voluntariamente todos os riscos de exposição à covid-19 e aceitam isentar a campanha de Trump, ou qualquer um de seus afiliados, empresas contratadas ou funcionários, de qualquer responsabilidade", diz o termo de isenção.

O portal não recomenda nenhuma medida para controlar a disseminação do vírus, como o uso de máscara por parte dos participantes.

O evento de Tulsa vem gerando controvérsias em um momento em que o país atravessa semanas de protestos contra o racismo e a violência policial, que se seguiram à morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos, após ser brutalmente detido por policiais brancos em Minneapolis, no dia 25 de maio.

A cidade foi palco de um massacre ocorrido em 1921, quando uma revolta de parte da população branca resultou na morte de centenas de afro-americanos em um bairro negro. Além disso, a data de 19 de junho marca o Dia da Liberdade, quando se comemora a abolição da escravidão no país, ocorrida no ano de 1865.

A senadora da Califórnia Kamala Harris, cotada para concorrer à vice-presidência pelo Partido Democrata ao lado de Joe Biden, classificou o evento de campanha como uma "festa de boas-vindas" para os defensores da supremacia branca.

O congressista Al Green, que integra o grupo de parlamentares negros no Congresso americano, afirmou que as escolha da data para o evento de campanha de Trump é "mais que um tapa na cara dos afro-americanos, é racismo explícito vindo do cargo mais alto do país".

A Casa Branca afirma que o Dia da Liberdade é uma "data importante" para Trump, que pretende aproveitar a ocasião para celebrar os progressos para a comunidade negra no país. O adversário de Trump, Joe Biden, ainda não anunciou nenhum evento de campanha.

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