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Atentado na Maratona de Boston: os 7 dias em que os EUA reviveram o terror

No dia 15 de abril, o que era para ser um dia de festa terminou em terror: confira como foi a semana que começou com as explosões na Maratona de Boston e culminou na morte de um suspeito e na detenção de outro

22 abr 2013
18h37
atualizado às 19h22
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Às 14h40 (15h40 de Brasília) da segunda, 15 de abril, os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev passaram pela esquina da rua Gloucester com a avenida Boylston, em Boston. Cada um carregava uma mochila nas costas. Dez minutos depois, duas bombas explodiram em meio à multidão que acompanhava os metros finais da maratona da cidade. Doze segundos e algumas dezenas de metros separaram a primeira explosão da segunda. Três pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas. 

O atentado
Com a prova passando das quatro horas de duração, os atletas de elite já haviam completado o percurso. Naquele momento, competidores amadores corriam rumo à linha de chegada. Muitos foram arremessados com a força das explosões. Janelas dos prédios próximos estouraram e uma coluna de fumaça surgiu no local onde havia torcedores. Houve pânico generalizado e correria. Depois, muito sangue nas calçadas e pessoas chorando.

Imediatamente o país entrou em alerta. Nova York e Washington foram as primeiras cidades a reforçar a segurança. Qualquer movimento diferente era visto com suspeita. Em Boston, um incêndio em uma biblioteca chegou a ser confirmado como uma terceira explosão

Investigações
Passado o momento de pânico e de atendimento aos feridos, começou a busca por respostas. Obama veio a público pedir calma para que os investigadores pudessem trabalhar. "Nós ainda não sabemos quem fez isso ou por quê. E as pessoas não deveriam se apressar com conclusões antes que disponhamos de todos os fatos”, afirmou o presidente. Horas se passaram sem que ninguém tivesse reivindicado a autoria. Naquela hora, Obama prometeu: “Os indivíduos responsáveis, os grupos responsáveis sentirão o pleno peso da Justiça".

Mais tarde, na primeira de muitas entrevistas coletivas sobre as explosões, o até então desconhecido agente do FBI Richard DesLauriers informou que, a partir daquele momento, as explosões estavam sendo consideradas pela agência como um potencial ato terrorista. O governador de Massachusetts, Deval Patrick, pediu paciência e colaboração da população.

Reprodução da rede CBS mostra uma foto de Martin Richard
Reprodução da rede CBS mostra uma foto de Martin Richard
Foto: Reprodução

No dia seguinte, após Martin Richard, 8 anos, e Krystle Campbell, 29 anos, serem identificados como as duas primeiras vítimas, DesLauriers novamente veio a público para tranquilizar a população de Boston dizendo que não havia ameaças de outros ataques e que o leque de suspeitos estava em aberto. Mais uma vez, pediu ajuda da população para elucidar o crime. 

“Se você ouviu alguém comentando sobre atacar a maratona, viu alguém pesquisar sobre como fazer bombas ou ouviu alguém testar explosivos, ligue para nós". Na mesma oportunidade, confirmou que as bombas foram montadas dentro de panelas de pressão.

Enquanto as autoridades trabalhavam, teorias da conspiração apareciam na rede e histórias de heróis começavam a pipocar na imprensa americana. No final do dia, a CNN noticiou que a terceira vítima seria uma cidadã chinesa, fato confirmado no dia seguinte: Lu Lingzi, estudante da Universidade de Boston, assistia à prova com uma amiga quando foi atingida pela explosão.

No dia 17, o FBI divulgou as primeiras imagens de objetos ligados às bombas. Uma imagem mostrou alguns centímetros de fio queimado ligado a uma pequena caixa, e outra um prego de 1,3 cm e um zipper manchado de sangue. Outra mostrou uma bateria ligada a fios pretos e vermelhos através de uma tampa de plástico quebrada.

No mesmo dia, pouco depois das 12h30 (13h30 de Brasília), a CNN anunciou, citando fontes ligadas às investigações, que um suspeito havia sido identificado e preso a partir da análise de imagens de câmeras de segurança. Logo depois, a notícia também foi divulgada pelo jornal Boston Globe. E com eles, praticamente o mundo inteiro. Duas horas depois, a polícia de Boston tratou de mandar por água abaixo o furo da rede americana. “Ao contrário do que foi noticiado, ninguém foi preso”, disseram as autoridades no Twitter.

 

 

A quinta-feira começou com Obama embarcando rumo a Boston em meio a outra tragédia: naquela madrugada, uma explosão de grandes proporções em uma planta de fertilizantes na cidade de West, no Texas, havia deixado um número incerto de mortos e de feridos

Ao chegar a Boston, o presidente se dirigiu à catedral da cidade, onde um ato ecumênico foi realizado em homenagem às vítimas. Diante de 2 mil pessoas presentes na Catedral Santa Cruz, Obama destacou a resiliência da população da cidade e garantiu novamente que os responsáveis seriam localizados. "Sim, nós o acharemos. Sim, nós o levaremos à Justiça"

Obama discursa na catedral de Boston diante de duas mil pessoas
Obama discursa na catedral de Boston diante de duas mil pessoas
Foto: AP

FBI divulga vídeo de suspeitos por bombas em Boston; veja
A caçada
A caçada aos responsáveis saiu do discurso e virou realidade quando o FBI, no final da tarde do mesmo dia, divulgou imagens de dois suspeitos. O agente Richard DesLauriers os descreveu como jovens “armados” e “extremamente perigosos". Na imagem, retirada de uma câmera de segurança, ambos apareciam vestindo bonés, um preto e outro branco.

Caçada a suspeitos de Boston envolveu nove mil policiais

A divulgação das imagens foi o estopim de uma grande operação que mobilizou mais de 9 mil agentes em Boston e seus arredores pelas 24 horas seguintes. Pouco depois das 22h, a polícia recebeu a informação de que um policial foi encontrado morto dentro do seu carro no campus do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e que um carro havia sido roubado em Cambridge e se seguia a Watertown, cidades vizinhas a Boston. 

Uma perseguição policial teve início e explosivos foram jogados contra as viaturas. Durante a troca de tiros um dos suspeitos é atingido, vindo a morrer posteriormente no hospital (mais tarde, a polícia esclareceu a informação dizendo a causa da morte do primeiro suspeito ainda não está devidamente elucidada). O segundo conseguiu fugir, ainda que gravemente ferido. 

<p>Tamerlan Tsarnaev, 26 anos e Dzhokhar A. Tsarnaev, 19 anos</p>
Tamerlan Tsarnaev, 26 anos e Dzhokhar A. Tsarnaev, 19 anos
Foto: AP

Durante o dia, enquanto a grande operação prosseguia, deixando as ruas de Boston e das cidades vizinhas vazias, emergiram as identidades dos suspeitos. Os irmãos de origem chechena Tamerlan Tsarnaev, 26 anos, Dzhokhar Tsarnaev, 19 anos, foram considerados os possíveis responsáveis pelas explosões. Tamerlan estava morto; Dzhokhar, foragido. 

Seguiram-se horas de uma tensa operação policial até que, pouco antes das 21h, a polícia de Boston informou que o segundo suspeito havia sido capturado após ter se escondido em um barco posicionado em um jardim de uma residência de Watertown. A esta altura, com intensa cobertura televisiva, moradores do subúrbio de Boston aplaudiram a ação da polícia nas ruas.

Boston: polícia prende suspeito de atentado com vida

Busca por respostas
Poucas horas depois, em mais uma declaração pública, Obama anunciou que ainda havia muitas questões sem resposta. "Por que um jovem estudante planejou esses atos violentos?", questionou. O presidente pediu que a população não julgue "apressadamente grupos inteiros de pessoas". 

Nos dois dias seguintes, alguns detalhes da operação vieram à tona e muitos perfis dos irmãos Tsarnaev foram traçados. E Dzhokhar seguia internado em estado grave.

Na segunda-feira, enquanto Boston fazia um minuto de silêncio em homenagem às vítimas, a procuradoria-geral dos Estados Unidos acusou formalmente o checheno de 19 anos. Se condenado, Dzhokhar pode pegar até prisão perpétua ou ser condenado à morte.

"Apesar da nossa investigação estar em andamento, as acusações de hoje fecham com sucesso uma semana trágica para a cidade de Boston e para o nosso país", disse o procurador-geral americano, Eric Holder, em um comunicado divulgado pelo Departamento de Justiça.

 

Fonte: Terra

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