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Em visita à Eslováquia, Papa cobra 'solidariedade' na Europa

Francisco fica no país até o dia 15 de setembro

13 set 2021 07h41
| atualizado às 07h59
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O papa Francisco se reuniu com lideranças da Eslováquia nesta segunda-feira (13) e pediu que a Europa mostre "solidariedade" para voltar ao "centro da história".

Papa é recebido pela presidente eslovaca, Zuzana Caputova
Papa é recebido pela presidente eslovaca, Zuzana Caputova
Foto: EPA / Ansa - Brasil

A declaração foi dada em um país que desde o auge da crise migratória no Mediterrâneo, em 2015, se opõe a quaisquer tentativas da União Europeia de criar mecanismos de redistribuição dos solicitantes de refúgio que chegam aos milhares em Itália e Grécia.

"Enquanto em várias frentes continuam as lutas por supremacia, este país deve reafirmar sua mensagem de integração e paz, e a Europa deve se distinguir por uma solidariedade que, ultrapassando suas fronteiras, possa devolvê-la ao centro da história", disse Jorge Bergoglio em discurso no palácio presidencial de Bratislava.

Francisco ressaltou que a própria história da Eslováquia, ex-integrante da antiga Tchecoslováquia, a convida a ser uma "mensagem de paz no coração da Europa". "Precisamos de fraternidade para promover uma integração cada vez mais necessária", acrescentou.

O Papa ainda pediu que "ninguém seja estigmatizado ou discriminado" e alertou que o "olhar cristão não vê um peso ou um problema nos mais frágeis".

A Eslováquia forma com Hungria, Polônia e República Tcheca um grupo chamado Visegrád, que boicota sistematicamente as políticas da União Europeia para solicitantes de refúgio resgatados no Mediterrâneo.

Em 2015, o bloco chegou a estabelecer um mecanismo de redistribuição dos deslocados internacionais que chegam na Itália e na Grécia, mas esses quatro países nunca aceitaram participar do programa.

O líder da Igreja Católica também recordou o passado comunista da antiga Tchecoslováquia e disse que a atual Eslováquia, "até algumas décadas atrás", vivia uma era marcada por um "pensamento único que impedia a liberdade".

"Sua história conta tantos escritores, poetas e pessoas da cultura que foram o sal do país. E como o sal faz arder as feridas, assim suas vidas muitas vezes passaram pelo sofrimento. Muitas personalidades ilustres foram trancadas no cárcere, mas permaneceram livres por dentro e ofereceram exemplos brilhantes de coragem, coerência e resistência à injustiça", declarou.

O Papa fica na Eslováquia até 15 de setembro, em sua primeira viagem após ter passado por uma cirurgia no cólon, em julho passado. Ao ser questionado por jornalistas em Bratislava sobre como se sentia, Francisco respondeu: "Ainda vivo".

Ansa - Brasil   
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