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Em meio a crise na Itália, senadores fundam grupo para apoiar Conte

Consultas com partidos começam nesta quarta-feira (27)

27 jan 2021
07h57
atualizado às 08h09
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Em meio à crise política que derrubou o segundo governo de Giuseppe Conte, o Senado da Itália abriu os trabalhos nesta quarta-feira (27) com o anúncio da criação de um novo grupo parlamentar de apoio a um terceiro governo do ex-premiê.

Giuseppe Conte mira um terceiro governo e precisa de apoio de senadores
Giuseppe Conte mira um terceiro governo e precisa de apoio de senadores
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"Constitui-se hoje um novo grupo parlamentar Europeístas-Maie-Centro-Democrático", informou a presidente do Senado, Elisabetta Casellati. Os componentes do novo grupo são 10 parlamentares de algumas siglas menores de direita e, oficialmente, esse é a primeira organização formal constituída.

O anúncio ocorre no dia em que o presidente do país, Sergio Mattarella, começará as consultas parlamentares para verificar se há a possibilidade de formar um novo governo ou se será necessário antecipar as eleições - que estavam programadas para 2023.

Nesta quarta, serão recebidos os presidentes da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, e do Senado para as conversas iniciais.

Até o fim da sexta-feira (28), conforme agenda divulgada pela Presidência, Mattarella receberá os líderes de todos os partidos e blocos políticos para verificar a possibilidade de um novo governo.

Conte está aberto a negociar com todos os que tiverem interesse em formar um novo governo, chamado de "Conte ter", ou seja, quer manter em sua base tanto o Movimento Cinco Estrelas (M5S), como o de centro-esquerda Partido Democrático (PD) e os demais partidos menores de esquerda. No entanto, a formação do novo bloco pode mostrar um apoio da centro-direita mais conservadora, que não busca ir às urnas em meio à pandemia de Covid-19.

No entanto, as siglas de extrema-direita Liga, de Matteo Salvini, e Irmãos da Itália (FdI), com um apoio do Força Itália de Silvio Berlusconi, buscarão convencer Mattarella da necessidade de novas eleições no país.

Pesquisas recentes mostram que Liga e FdI, ao lado do PD, são os que têm as maiores intenções de votos dos italianos - na casa dos 20%. No entanto, nos bastidores, membros do partido de Berlusconi não são muito favoráveis a um novo pleito - buscando um novo governo de centro-direita.

Se Mattarella der a Conte a função de montar um novo governo, a questão será bastante difícil e o ex-premiê precisará obter uma maioria sem necessitar do Itália Viva, do também ex-premiê Matteo Renzi, responsável por iniciar a nova crise no governo ao retirar o apoio da sua sigla ao governo no Senado.

Porém, fontes do governo dizem que se a maioria "não for tão clara", já está sendo elaborado um plano B, com a indicação de um nome do M5S para chefiar o governo: Stefano Patuanelli (defensor de Conte e figura-chave na coalizão com o PD), Roberto Fico (uma opção mais institucional, que deixaria seu posto para uma figura como o ministro dos Bens Culturais, Dario Franceschini) ou Luigi Di Maio (atual ministro das Relações Exteriores, que poderia contar com um eventual apoio de Renzi).

- A atual crise:

Conte apresentou sua renúncia nesta terça-feira (26) após ter uma base de apoio fraca no Senado. Na semana passada, o então premiê até conseguiu vitórias no Parlamento nas sessões para dar um voto de confiança ao governo: teve uma maioria estreita na Câmara dos Deputados (321 votos de um total de 630), porém teve de se contentar com uma maioria relativa no Senado (154 de 320), obtida graças à abstenção de 16 membros do IV.

No entanto, com a expectativa de uma derrota na votação no Senado nesta quarta-feira sobre um relatório do ministro da Justiça, Alfonso Bonafede, o que causaria a queda do governo, Conte decidiu se antecipar e entregar o cargo.

O ex-premiê estava na função desde 2018, quando seu nome foi indicado pelo M5S para chefiar o governo de aliança com a Liga, que duraria até setembro de 2019. Após a crise aberta por Salvini, o PD e partidos menores de esquerda entraram na base aliada para evitar eleições antecipadas, que provavelmente dariam a vitória ao ex-ministro do Interior. .
   

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