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Primeiro da "primavera árabe", Tunísia escolhe presidente

A campanha presidencial conta com 25 candidatos de partidos políticos de direita, centro e esquerda, assim como personalidades independentes

21 nov 2014
16h30
atualizado às 16h33
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As eleições presidenciais de domingo na Tunísia fecham o ciclo da transição demorática em um país que se orgulha de ter iniciado a "primavera árabe" - ainda em 2010 - e conseguido levá-la por um bom caminho, com a chegada de um partido islamita e sua posterior derrota por meios estritamente democráticos.

<p>Tunísia dá novo passo rumo à democrácia, a promoção de suas primeiras eleições presidencias desde a primavera árabe</p>
Tunísia dá novo passo rumo à democrácia, a promoção de suas primeiras eleições presidencias desde a primavera árabe
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

A campanha presidencial, que conta com 25 candidatos de partidos políticos de direita, centro e esquerda, assim como personalidades independentes, é a primeira eleição livre e democrática para o cargo desde a queda do regime de 24 anos do ex-presidente Zine el Abidine Ben Ali em 14 de janeiro de 2011.

Caso nenhum dos candidatos alcance a maioria absoluta dos votos deste domingo, haverá um segundo turno entre os dois candidatos mais votados em 28 de dezembro.

Favoritos
O candidato favorito à presidência é Beji Caid Essebsi, de 88 anos, um experiente político e ex-ministro do Interior, Defesa e Relações Exteriores. Essebsi, que liderou a primeira fase da transição e organizou as eleições legislativas de 2011, vencidas pelo partido islamita Al- Nahda, fundou o grupo político Nida-Tunis (da tradução livre, "Chamada por Tunísia") em 2012, com o objetivo de criar uma alternativa laica à influência do islamismo no país.

Do outro lado e de maneira extraoficial, as bases islamitas apoiam o presidente interino da Tunísia, conhecido como "Doutor Moncef Marzouki", de 69 anos, que se lançou como candidato independente.

<p>Mesmo após os protestos da primavera árabe, os atentados terroristas e os assassinatos de políticos e militares continuaram</p>
Mesmo após os protestos da primavera árabe, os atentados terroristas e os assassinatos de políticos e militares continuaram
Foto: AFP

Os islamitas seguem em massa o presidente interino em atos públicos, acompanhados dos rigorosos imãs (líderes religiosos) e membros das violentas Ligas de Proteção da Revolução (LPR).

Atual cenário
A coalizão governamental entre o Al-Nahda e dois partidos laicos, CPR e Takatol, não evitou que o país mergulhasse em uma crise política e de segurança caracterizada pelo crescimento do islã radical. Mesmo após os protestos da primavera árabe, os atentados terroristas e os assassinatos de políticos e militares continuaram.

Além disso, o país sofre com a má gestão econômica do governo de coalizão tripla, que não conseguiu conter a crise econômica herdada do regime de Ben Ali. A Tunísia atingiu recordes de inflação, queda dos investimentos na indústria e desemprego, o que provocou o descontentamento das classes média e pobre.

Neste contexto, o jovem partido Nida-Tunis, com pouco mais de dois anos de vida, conquistou a vitória nas eleições legislativas do mês passado, ao obter 86 das 217 cadeiras do parlamento.

O partido rival, Al-Nahda, não lançou candidato para presidente e nem conseguiu chegar a um acordo com outras forças políticas sobre um nome em comum.

O partido ficou em segundo nas últimas eleições legislativas, obtendo 69 vagas no parlamento. Oficialmente, o Al-Nahda liberou seus militantes a definirem em quem vão votar de "acordo com suas consciências".

EFE   

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