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Dezenas de moradores de Gaza são mortos e feridos em ataque que pode ameaçar negociações por trégua

9 jul 2024 - 17h47
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Palestinos fugiram sob ataques israelenses e tanques entraram ainda mais na Cidade de Gaza nesta terça-feira, enquanto dezenas de pessoas foram mortas ou feridas em um ataque aéreo no sul do enclave, em uma intensificação da ofensiva de Israel que, segundo o Hamas, pode prejudicar as negociações de cessar-fogo. 

O ataque aéreo desta terça-feira atingiu tendas que abrigavam famílias desalojadas no lado de fora de uma escola na cidade de Abassan, leste de Khan Younis, no sul de Gaza, segundo autoridades médicas palestinas. 

O Exército israelense disse que está analisando o relato.

Nas linhas de frente da Cidade de Gaza, braços armados do Hamas e seu aliado Jihad Islâmica disseram que combatentes enfrentaram forças israelenses com metralhadoras, morteiros e mísseis anti-tanque, matando e ferindo soldados israelenses. 

O Exército de Israel não comentou sobre vítimas, mas afirmou que seus soldados travaram combates corpo a corpo com militantes, tiraram mais de 150 combatentes de ação na semana passada e destruíram prédios com armadilhas e explosivos. 

Os últimos combates ocorreram num momento em que autoridades seniores dos Estados Unidos visitam a região em busca de um cessar-fogo, após o Hamas fazer concessões na semana passada. Mas a nova campanha de Israel ameaça as negociações em um momento crucial e pode levá-las de volta à "estaca zero", disse o líder Ismail Haniyeh, segundo o Hamas.

Imagens nas redes sociais mostraram famílias aglomeradas em carroças de burro e na parte de trás de caminhonetes, com pilhas de colchões e outros pertences, atravessando as ruas da Cidade de Gaza para fugir das áreas sob ordens de retirada de Israel. 

"A Cidade de Gaza está sendo dizimada, é isso que está acontecendo. Israel está nos forçando a deixar nossas casas sob ataque", disse à Reuters Um Tamer, mãe de sete crianças, por um aplicativo de mensagens. 

Ela afirmou que é a sétima vez que sua família é obrigada a fugir de casa na Cidade de Gaza, situada no norte do enclave e um dos primeiros alvos de Israel no começo da guerra em outubro. 

"Não aguentamos mais, chega de morte e humilhação. Acabe com a guerra agora", disse. 

A Cruz Vermelha palestina disse que todas as suas clínicas médicas estão fora de serviço devido às ordens de retirada de Israel que levaram milhares de pessoas para o oeste, na direção do Mediterrâneo, e para o sul.

Nove meses de guerra e deslocamento causaram uma crise de fome, e as recentes mortes de várias crianças por desnutrição na Faixa de Gaza indicam que a falta de comida se espalhou pelo enclave, segundo um grupo independente de especialistas em direitos humanos, com mandato da ONU. 

Em um hospital de Khan Younis, a mulher palestina Ghaneyma Joma disse à Reuters temer que seu filho morra de inanição.

"É angustiante ver meu filho… deitado ali, morrendo de desnutrição, porque não consigo lhe dar nada por causa da guerra, do fechamento das passagens e da água contaminada", disse, sentada no chão perto do filho imóvel, que tinha um soro intravenoso preso ao pulso. 

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