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Criminosos controlam minas de ouro e diamante na Amazônia venezuelana, alerta ONU

15 jul 2020
11h03
atualizado às 11h42
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Algumas minas de ouro, diamante e bauxita da Amazônia venezuelana são em grande parte controladas por grupos criminosos que exploram, espancam e até matam trabalhadores, revelou uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU).

Reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra
30/06/2020
REUTERS/Denis Balibouse
Reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra 30/06/2020 REUTERS/Denis Balibouse
Foto: Reuters

As forças militares e de segurança da Venezuela não evitam os crimes e participaram de alguns episódios de violência contra mineiros, disse o escritório de direitos humanos da ONU em um relatório divulgado nesta quarta-feira.

Nada Al Nashif, vice-chefe de direitos humanos da ONU, deve apresentar o documento ainda nesta quarta-feira ao Conselho de Direitos Humanos da entidade.

Não houve resposta de imediato da Venezuela, um dos 47 membros do organismo da ONU, a um pedido de comentário da Reuters. O embaixador venezuelano, Jorge Valero, deve falar ao conselho.

O relatório da ONU, que se refere a uma área conhecido como Arco de Mineração do Orinoco (AMO), disse: "Grande parte da atividade mineradora dentro e além do AMO é controlada por grupos criminosos organizados ou elementos armados".

Estima-se que quase 150 homens e mulheres morreram dentro ou nos arredores das minas entre março de 2016 e 2020, e as forças de segurança estão envolvidas em metade dos incidentes, disse o documento, acrescentando que o governo não respondeu a um pedido de informação.

"De acordo com relatos recebidos... corpos de mineiros muitas vezes são atirados em velhos poços de minas usados como túmulos clandestinos".

Os mineiros, entre eles crianças pequenas, não têm contratos de trabalho e são expostos à contaminação de mercúrio e à malária, segundo o relatório.

O documento pediu que o governo do presidente Nicolás Maduro regularize as atividades mineradoras e faça com que cumpram padrões internacionais legais e ambientais.

Criada por um decreto governamental em 2016, a área de cerca de 110 mil quilômetros quadrados na Amazônia venezuelana equivale a 12% do território nacional. Ouro, diamantes, coltan, ferro e bauxita são extraídos.

O Banco Central da Venezuela não publica dados sobre as exportações de ouro e outros suprimentos de minerais, seu destino ou os rendimentos em moeda estrangeira desde 2018, disse o relatório.

O governo Maduro apoia a mineração em pequena escala desde 2016 para gerar renda em meio a uma crise econômica. As operações se expandiram à medida que os Estados Unidos intensificaram sanções com a meta de tirá-lo do poder.

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