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Comitê do Nobel faz apelo para premiê etíope encerrar guerra

Abiy Ahmed conquistou o prêmio em 2019

13 jan 2022 12h38
| atualizado às 12h44
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O comitê responsável pelo Nobel da Paz fez nesta quinta-feira (13) um apelo para que o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, vencedor do prêmio em 2019, encerre o conflito armado na região de Tigré, que já dura mais de um ano.

Manifestação em apoio a Abiy Ahmed em Adis Abeba, capital da Etiópia, em novembro de 2021
Manifestação em apoio a Abiy Ahmed em Adis Abeba, capital da Etiópia, em novembro de 2021
Foto: EPA / Ansa - Brasil

"Como primeiro-ministro e vencedor do Nobel da Paz, Abiy Ahmed tem uma responsabilidade especial de terminar o conflito e contribuir para a paz", disse a presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Berit Reiss-Andersen, em declaração reportada pela agência AFP.

Já a porta-voz do governo etíope, Billene Seyoum, rebateu que Ahmed não apenas assumiu a responsabilidade de encerrar a guerra, mas também de acabar com as "atividades desestabilizadoras da TPLF, definida como grupo terrorista pelo Parlamento".

O norte da Etiópia está em guerra desde novembro de 2020, quando Ahmed enviou tropas para Tigré, após acusar a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF), partido que governa a região, de ter atacado postos do Exército.

O primeiro-ministro prometia uma vitória rápida, mas a TPLF conseguiu resistir ao avanço inicial das forças de Adis Abeba e chegou inclusive a conquistar territórios em regiões vizinhas.

O conflito já provocou milhares de mortes e forçou milhões de pessoas a abandonar suas casas, e o cerco das tropas etíopes impede a chegada de ajuda humanitária em Tigré. "A situação humanitária é muito grave, e é inaceitável que a ajuda não chegue de forma suficiente", ressaltou Reiss-Andersen.

A TPLF foi dominante na política etíope até a ascensão de Ahmed, em 2018, mas diz ter sido marginalizada pelo primeiro-ministro. Além disso, é contra o acordo de paz entre Etiópia e Eritreia, que rendeu o Nobel para o premiê em 2019.

O conflito em Tigré fez surgir perdidos pela revogação do prêmio para Ahmed, o que não é permitido pelo estatuto do Nobel. "O prêmio foi dado com base em seus esforços e nas expectativas legítimas que existiam em 2019", disse Reiss-Andersen.

Ansa - Brasil   
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