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Começa na Itália maior julgamento contra a máfia 'ndrangheta

Grupo possui ramificações no mundo todo, inclusive no Brasil

13 jan 2021
13h50
atualizado às 14h02
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Começou nesta quarta-feira (13) um dos maiores processos judiciais contra a máfia na Itália, em um julgamento que reúne 325 réus acusados de envolvimento com clãs da poderosa 'ndrangheta.

Com origens na Calábria, no extremo-sul do país, essa organização mafiosa se tornou uma verdadeira multinacional do crime, com ramificações inclusive no Brasil, e hoje rivaliza e até supera em poder e influência a Cosa Nostra e a Camorra, conhecidas mundialmente por suas aparições em livros, filmes e séries de TV.

O processo "Rinascita-Scott" acontece no "tribunal-bunker" da Corte de Apelação de Lamezia Terme - montado no ano passado em um antigo galpão industrial -, em meio a um imponente esquema de segurança e com a presença de dezenas de jornalistas italianos e estrangeiros.

Esse é o maior processo já realizado contra a 'ndrangheta e mira as conexões políticas, institucionais, empresariais e maçônicas dos clãs da província de Vibo Valentia. A primeira audiência foi acompanhada pelo presidente da Comissão Parlamentar Antimáfia, Nicola Morra, o único representante político presente no tribunal.

"O fato de que eu esteja aqui representa a importância da presença do Estado em apoio às partes empenhadas neste processo", declarou o senador do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S).

A realização do julgamento na Calábria, região acossada pelo poder da 'ndrangheta, também é vista por alguns como uma mensagem de força das instituições. "É importante que o processo seja feito na Calábria, onde aconteceram os crimes. É um sinal de que as pessoas podem confiar em nós, de que podemos dar respostas", disse o procurador Nicola Gratteri.

"Fazer o julgamento na Calábria significa reiterar a presença do Estado. As instituições e os cidadãos honestos são mais fortes que a máfia", reforçou um porta-voz do M5S, dono da maior bancada no Parlamento.

As audiências serão realizadas diariamente, com exceção dos fins de semana, e a expectativa é de que o processo dure mais de dois anos. O principal réu é Luigi Mancuso, suposto líder de um clã que leva seu sobrenome e considerado um dos mafiosos mais poderosos da Itália.

Outros 92 réus serão julgados em um processo separado por terem escolhido um procedimento que dispensa a apresentação de testemunhas de defesa, incluindo Giancarlo Pittelli, ex-senador pelo partido de Silvio Berlusconi.

Ele é acusado de ser a ligação entre clãs da 'ndrangheta e a política, mas alega inocência.

Críticas

Usando a pandemia de Covid-19 como argumento, a juíza Brigida Cavasino proibiu a filmagem e gravação das audiências, provocando protestos de jornalistas.

"É o maior processo contra a 'ndrangheta, e os cidadãos têm direito de se informar", comentou a Federação Nacional da Imprensa Italiana (FNSI). Segundo a entidade, a utilização da pandemia como justificativa para o veto é "inaceitável".

"Bastava permitir o registro por apenas um operador, com obrigação de fornecimento das imagens para todas as outras emissoras", disse a FNSI.

Em 1986, no megaprocesso contra a Cosa Nostra, a Justiça autorizou gravações em áudio e vídeo das audiências, o que gerou um rico material documental sobre a máfia siciliana.

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