PUBLICIDADE

Começa megaprocesso por mortes por amianto na Itália

Stephan Schmidheiny, ex-dono da Eternit, responde por homicídio

9 jun 2021 12h20
| atualizado às 12h26
ver comentários
Publicidade

Começou nesta quarta-feira (9), em Novara, na Itália, um megaprocesso pelas mortes provocadas pela inalação de amianto em uma antiga fábrica da Eternit na cidade de Casale Monferrato.

Foto de arquivo mostra protesto em Roma contra Eternit por mortes na fábrica de Casale Monferrato
Foto de arquivo mostra protesto em Roma contra Eternit por mortes na fábrica de Casale Monferrato
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O réu é o magnata e filantropo suíço Stephan Schmidheiny, ex-proprietário da Eternit e que responde a 350 acusações de homicídio doloso.

A maior parte das vítimas morreu de mesotelioma, tumor que atinge as membranas que revestem o pulmão e é conhecido como o câncer do amianto.

"Temos o dever de estar presentes, apesar dos tantos socos levados no estômago. Não teremos justiça enquanto uma sentença não disser que essas coisas não podiam acontecer", declarou Bruno Pesce, representante de uma associação que reúne familiares das vítimas.

Já o promotor Gianfrancesco Colace, que lidera a acusação, afirmou que o caso é uma "ferida aberta". O julgamento acontece a portas fechadas para evitar aglomerações.

"Será um processo longo e complexo, ao qual levaremos nossa contribuição técnica e jurídica com a habitual seriedade", comentou o advogado Guido Carlo Alleva, que defende Schmidheiny - o réu não se apresentou no tribunal em Novara.

A acusação alega que o magnata suíço é diretamente responsável pelas mortes, uma vez que sabia dos riscos do amianto para a saúde e permitiu que os funcionários da Eternit tivessem contato com a substância na fábrica de Casale.

Já a defesa diz que os fatos são os mesmos do processo no qual Schmidheiny foi absolvido pela Corte de Cassação de Roma. No fim de 2014, a principal instância judiciária da Itália decidiu que o magnata não poderia ser condenado por desastre ambiental doloso porque o delito já estava prescrito.

O caso também se referia à fábrica de Casale, que até meados dos anos 1980 liberava fibras de amianto no meio ambiente, causando a contaminação de milhares de pessoas.

Ansa - Brasil   
Publicidade
Publicidade