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Cientistas questionam necessidade de vacinas de reforço contra Covid-19

13 mai 2021 09h50
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Desenvolvedores de vacinas contra Covid-19 estão postulando com ousadia cada vez maior que o mundo precisará de vacinas de reforço anuais, ou de novas vacinas contra variantes preocupantes do coronavírus, mas alguns cientistas questionam quando, ou se, tais vacinas serão necessárias.

Vacinação em Ehrenfeld, Colonha (Alemanha)
 8/5/2021 REUTERS/Thilo Schmuelgen
Vacinação em Ehrenfeld, Colonha (Alemanha) 8/5/2021 REUTERS/Thilo Schmuelgen
Foto: Reuters

Em entrevistas à Reuters, mais de uma dezena de especialistas influentes em doenças infecciosas e em desenvolvimento de vacinas disseram que existem indícios crescentes de que uma primeira rodada de vacinações globais pode oferecer uma proteção duradoura contra o coronavírus e as variantes mais preocupantes descobertas até o momento.

Alguns destes cientistas expressaram o receio de que as expectativas públicas a respeito de vacinas de reforço contra Covid-19 estejam sendo criadas por executivos de farmacêuticas, e não por especialistas médicos, mas muitos concordaram que se preparar para tal necessidade por precaução é prudente.

Eles temem que uma pressão de nações ricas por uma repetição de vacinações ainda neste ano aprofunde a lacuna com países mais pobres que estão tendo dificuldade para comprar vacinas e podem levar anos para inocular seus cidadãos até mesmo uma vez.

"Ainda não vemos os dados que embasariam uma decisão sobre haver ou não a necessidade de vacinas de reforço", disse Kate O'Brien, diretora do Departamento de Imunização, Vacinas e Produtos Biológicos da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O'Brien disse que a OMS está formando uma comissão de especialistas para avaliar todos os dados de variantes e de eficácia de vacinas e recomendar mudanças nos programas de vacinação de acordo com a necessidade.

O executivo-chefe da Pfizer Inc, Albert Bourla, disse que as pessoas "provavelmente" precisarão de uma dose de reforço da vacina da empresa a cada 12 meses - semelhante à vacina anual contra a gripe - para manter níveis altos de imunidade contra o vírus SARS-CoV-2 original e suas variantes.

"Existe zero, e quero dizer zero, indício que sugira que este é o caso", contrapôs o doutor Tom Frieden, ex-diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

"É completamente inadequado dizer que provavelmente precisaremos de um reforço anual, porque não temos ideia da probabilidade disto", disse Frieden, que hoje lidera a iniciativa global de saúde pública Resolve to Save Lives, a respeito das afirmações da Pfizer sobre as vacinas de reforço.

Respondendo às críticas, a Pfizer disse que acredita na necessidade de reforços enquanto o vírus ainda estiver circulando amplamente.

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