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Cesare Battisti reconhece pela 1ª vez autoria de quatro homicídios na Itália

Até então, ex-ativista de esquerda italiano negava acusações de ser responsável pelas mortes e por ter ferido outros três nos anos 1970; no Twitter, Bolsonaro diz que que sempre denunciou proteção 'dada ao terrorista' e que Brasil não será 'paraíso de bandidos'

25 mar 2019
10h41
atualizado às 15h16
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ROMA - O ex-ativista de esquerda italiano Cesare Battisti, que ficou 40 anos foragido, admitiu que é responsável por quatro assassinatos cometidos nos anos 1970, além de ter ferido gravemente três pessoas e ter praticado uma quantidade de roubos para autofinanciar-se, informa a imprensa italiana nesta segunda-feira, 25.

A admissão de culpa de Battisti foi divulga pelo procurador-chefe de Milão, Francesco Greco, em entrevista coletiva. "Com essa admissão, ele esclarece muitas polêmicas, rende honras às forças de ordem e à magistratura de Milão e reconhece que atuou neste anos de maneira brutal", completou Greco.

Pouco depois da divulgação da notícia sobre o reconhecimento de Battisti, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, comentou o caso em sua conta no Twitter.

"Battisti, 'herói' da esquerda, que vivia colônia de férias no Brasil proporcionada e apoiada pelo governo do PT e suas linhas auxiliares (PSOL, PCdoB, MST) confessou pela 1ª vez participação em 4 assassinatos", escreveu.

"Por anos denunciei a proteção dada ao terrorista, aqui tratado como exilado político. Nas eleições, firmei o compromisso de mandá-lo de volta à Itália para que pagasse por seus crimes. A nova posição do Brasil é um recado ao mundo: não seremos mais o paraíso de bandidos!", completou em uma segunda mensagem.

De acordo com o procurador antiterrorismo Alberto Nobili, Battisti, de 64 anos, afirmou que "fala (apenas) do que é responsável e não falará (dos possíveis crimes) de mais ninguém". Battisti foi preso na Bolívia e desembarcou em Roma em 14 de janeiro.

"Tenho noção do mal que fiz e peço desculpas aos parentes (das vítimas)", disse Battisti no interrogatório de 9 horas, destacando, no entanto, que, na ocasião, as escolhas lhe pareciam corretas e que se tratava de uma "guerra justa". Battisti integrava o grupo Proletário Armados pelo Comunismo e foi condenado por quatro assassinatos cometidos entre 1977 e 1979.

Na Itália, foi primeiro condenado por participação em bando armado e ocultação de armas a 12 anos e 10 meses de prisão em 1981. Mais de uma década depois, em 1993, teve a prisão perpétua decretada pela Justiça de Milão, em razão de quatro homicídios hediondos.

Relembre o história de Battisti

Depois de fugir de seu país, Battisti viveu 15 anos exilado na França amparado pela chamada "doutrina Mitterrand" de não extraditar os ativistas italianos de esquerda, estabelecida pelo presidente François Mitterrand em 1985. Lá, tornou-se em um bem sucedido autor de novelas policiais.

Em 2004, foi obrigado a deixar o país e se refugiou clandestinamente no Brasil, antes de ser preso no Rio de Janeiro em 2007. No último dia de seu segundo mandato, no entanto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu asilo político para o italiano e impediu sua extradição.

Battisti casou-se com uma brasileira, com quem teve um filho em 2013.

Depois de ter a liminar de garantia no Brasil suspensa, Battisti chegou a ficar foragido no final do ano passado quando o então presidente Michel Temer autorizou sua extradição para a Itália. / AFP

Estadão

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